No dia 1º de outubro, os 7.121.257 eleitores paranaenses poderão ter a última oportunidade de repetir todos os cinco votos que deram nas duas últimas eleições nacionais. Neste ano, além do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do governador Roberto Requião (PMDB), também disputam a reeleição o senador Alvaro Dias (PSDB - eleito em 1998), e 91,9%% dos deputados estaduais e federais. Uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que tramita no Senado, propõe o fim da reeleição para cargos Executivos (presidente da República, governadores e prefeitos) a partir de 2010.
Na semana passada, a PEC - que recebeu um substitutivo do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), mantendo os mandatos por quatro anos - foi aprovada por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e agora segue para duas votações em plenário. O projeto original do senador Sibá Machado (PT-AC), estendia os mandatos para cinco anos. Após tramitar no Senado, a PEC irá para a Câmara dos Deputados, onde depois de passar pelas comissões, precisará de, no mínimo, 308 votos entre os 513 deputados, em dois turnos.
Apesar do longo caminho que a PEC ainda tem a percorrer, alguns eleitores consultados pela Folha demonstram que os candidatos à reeleição poderão ter dificuldades em obter novos mandatos. De dez pessoas consultadas aleatoriamente, sete disseram que não deverão repetir nenhum dos votos de 2002. ''Não pretendo (repetir o voto) por uma série de coisas que estamos vendo. Acho que como eu a maioria das pessoas também não quer'', argumentou a técnica de enfermagem Niclória de Jesus Cordeiro, 50 anos. ''Os votos que dei na eleição passada não corresponderam'', complementou o bancário Waldemir Morais, 48 anos. ''Porque não cumpriram com a metade do que prometeram'', justificou Márcio Luiz Pongan, 39 anos, que é representante comercial.
Dois entrevistados disseram que ainda estão pensando em quem deverão votar e um afirmou que irá novamente anular todos os votos. ''Votei nulo e vou votar nulo de novo'', disse o aeroviário Valter Passeti. ''Se a reeleição fosse usada para cumprir o planejamento de governo, tudo bem, mas as reeleições que vem acontecendo não estão sendo boas para o país'', avaliou o contador José Aparecido de Abreu, 43 anos.

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