Se perder no voto, FHC deve apelar para vetos
A disposição de sair da agenda das CPIs é tamanha que o Planalto está disposto a correr riscos. Prova disso é que o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), ganhou autonomia para tirar da gaveta até as medidas provisórias (MPs) polêmicas, como a que aumenta a contribuição previdenciária dos militares. Como o importante é votar, o presidente já prepara a caneta para administrar o painel de votação.
Caso o governo sofra alguma derrota nas sessões do Congresso, o presidente Fernando Henrique Cardoso apelará para o veto, certo de que, em meio à tanta confusão, será difícil reunir 257 votos dos 513 deputados, e 41 dos 81 senadores para derrubá-lo.
FHC não hesitou em interceder com o PMDB para que evitasse uma crise mais aguda com o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). Não interessa ao PSDB nem ao governo empurrá-lo para o projeto de Ciro Gomes, candidato do PPS à Presidência em 2002. Com Jader enfraquecido pela avaliação geral de que ele ganhou a guerra, mas não conseguiu tomar posse do território conquistado, não foi difícil para a cúpula peemedebista negociar com sua bancada o acerto feito com o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE).
O acordo manteve o tucano na liderança para evitar que um colega distante do PMDB assumisse o comando do partido naquela Casa. Em troca, deu a presidência da mais importante comissão permanente - a de Assuntos Econômicos (CAE) - para o senador Lúcio Alcântara (PSDB), aliado de Tasso.
Tucanos e peemedebistas estão juntos em mais um litígio na base aliada que põe Fernando Henrique na berlinda: o destino dos cargos federais na Bahia, todos sob o comando de ACM. A pressão é grande porque o Planalto ainda não definiu que conduta adotará nesse caso, para desespero dos tucanos. A avaliação do líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães (BA), é a de que demitir os ministros de ACM e conservar sua quota de poder local servirá apenas para fortalecer a oligarquia carlista na Bahia.
(Agência Estado)





