''Se não existe concorrência, não existe debate''
Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), Leonardo Barreto, a eleição sem concorrência representa um ''sério indício de que a cidade não vive um quadro de liberdade e caminha para a oligopolização da política''.
Para ele, é praticamente impossível que exista uma consenso na sociedade capaz de impedir uma segunda opção para o eleitor. ''O que provavelmente acontece é um acordo entre as lideranças e uma pressão sobre a população para que não seja lançado um concorrente. Podem estar oferecendo cargos ou benefícios clientelistas às comunidades. Nos dois casos, representaria o uso da prefeitura para construir esse 'consenso''', disse.
Segundo Barreto, outra consequência direta da falta de alternativas políticas é a redução da legitimidade dos eleitos - ainda mais com a possibilidade de vitória com poucos votos, conforme indica o TRE-PR.
''A chapa única eleita por qualquer quantidade de votos pode levar a um prefeito sem legitimidade. Se não existe concorrência, não existe debate. E as pessoas não escolheram de fato; votaram porque só tinha um candidato'', avaliou.
O papel da oposição, de acordo com o cientista política da UNB, é fundamental para o bom funcionamento da democracia. Barreto explica que os partidos concorrentes são os únicos órgãos que fazem a fiscalização da administração pública em tempo integral. ''Sem a oposição, cresce a possibilidade da corrupção. Não se está acusando ninguém, mas esse é o típico caso da ocasião que faz o ladrão'', exemplificou. (F.C.)





