'Se Lula participou, temos que puni-lo'
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segunda-feira, 15 de agosto de 2005
Sergio Torres<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), defendeu ontem o impeachment caso fique comprovado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia dos esquemas de corrupção em investigação pelas CPIs. Se ele participou, nós temos que puni-lo também, disse Severino, acrescentando a seguinte frase quando questionado sobre que forma Lula poderia vir a ser punido: Com o impeachment, a punição é essa. Para Severino, o presidente desconhecia a corrupção, embora ainda considere necessárias mais investigações para esclarecer a questão.
No Rio a convite da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e da Câmara de Comércio França-Brasil, o presidente da Câmara definiu Lula como um traído.
Perguntado por um jornalista se também considerava o deputado José Dirceu (PT-SP) inocente, Severino respondeu que a situação é diferente. Diante das denúncias e da maneira como os fatos estão sendo encaminhados, a evidência é que ele [Dirceu] tem alguma culpa e, se tem alguma culpa, tem que pagar, afirmou ele, para quem a cassação é uma das punições previstas pela legislação do país.
Em duas entrevistas, o presidente da Câmara procurou defender Lula. Falou, no entanto, que se considera preparado para exercer a função de presidente da República caso Lula e o vice José de Alencar sejam afastados. Eu não veria ainda motivos para que se possa requerer o impeachment do presidente, mas, se acontecer, eu tenho que fazer cumprir o que a Constituição reza. Assumiremos e faremos a convocação das eleições em 30 dias dentro do parlamento para o novo presidente. Mas tenho certeza, e quero dar a minha palavra de fé, de que o Brasil pode ficar tranqüilo porque o presidente da Câmara não fará nada para antecipar ou fazer qualquer coisa para que esse impeachment aconteça.
Severino deixou evidente que considerou insatisfatório o pronunciamento do presidente à nação na quinta-feira passada, apesar de ter evitado se aprofundar no assunto. Ele iniciou, não terminou. Eu acho que ele vai terminar, disse o presidente da Câmara sobre as declarações de Lula.
Perguntado sobre o que faltaria ao presidente informar, Severino respondeu: O que a sociedade quer ouvir. Ele elogiou a postura de Lula ao pedir perdão e a não citar nomes de pessoas que o teriam traído. Acho que os nomes estão sendo citados. Não precisa estar citando mais nomes. (...) Com aquela humildade, ele pediu perdão ao povo brasileiro. É uma prova de que ele está sentindo a traição. Então temos que dar um crédito de confiança ao presidente. Ele realmente foi traído por aqueles que viu mais próximos a ele. Acredito que ele não sabia. Ele foi traído. Ninguém é traído sabendo.
Severino disse ainda que a Câmara tem condições para continuar a trabalhar ao mesmo tempo em que as CPIs investigam os esquemas de corrupção. Ele prometeu desobstruir a pauta e normalizar as votações em oito a dez dias.
Segundo ele, com a Câmara voltando a atuar, acabará o atual estado de estagnação do país. O que o Brasil está precisando é de trabalho. Temos que separar essa história de CPIs do trabalho da Câmara. CPI é CPI. Trabalho da Câmara é trabalho da Câmara. Vamos fazer com que nesta semana sejam votados projetos de grande importância para o desenvolvimento do país, como é o estatuto da micro e pequena empresas.


