Curitiba - O deputado estadual Durval Amaral (DEM), relator do caso na Comissão de Fiscalização do Legislativo, voltou a afirmar ontem que o ex-presidente da Fundação Copel Edilson Bertholdo teria praticado ''lobby'' em favor da empresa Standard Logística e Distribuição S.A., que também demonstrou interesse na compra das ações da Previ dentro da TPPF, por fim ganha pela empresa Equiplan. Por outro lado, Bertholdo afirma que a proposta da Standard era ''substancialmente'' superior à da Equiplan. ''Quando a Previ colocou aos seus sócios os valores que estavam sendo praticados, me senti na obrigação de falar que estava recebendo uma proposta maior, que o mercado aparentemente pagava mais do que isso. O valor das ações nos afeta na medida em que elas podem reduzir os nossos ativos. Se isso é lobby, então é lobby a favor dos copelianos'', justificou.
Com base nos documentos entregues ontem por Bertholdo à Comissão de Fiscalização, a Previ teria alegado que recebeu uma proposta da Standard em novembro de 2008 e que ela não era ''competitiva o suficiente para ensejar a continuidade de negociação''. Em 25 de agosto de 2009 houve uma segunda proposta da Standard, mas a Previ já estaria em fase final de negociação com a Equiplan.
O deputado Élio Rusch (DEM), líder da oposição, quer saber também os motivos que levaram a Previ a fechar negócio com a Equiplan. ''Acredito que o melhor negócio era com a Standard, mas não sei porque não avançou. Se houve algum tipo de persuasão, eu não posso afirmar'', respondeu Bertholdo.
No material entregue ontem por Bertholdo à Comissão de Fiscalização, consta uma carta de 13 de agosto de 2009 enviada pela Equiplan ao secretário de Representação do Paraná em Brasília, Eduardo Requião, ex-superintendente da APPA, na qual é solicitada a interferência do irmão do governador Requião no processo. A Equiplan fala do suposto ''lobby'' que a Fundação Copel estaria fazendo a favor da Standard e pede a ajuda de Eduardo Requião porque, além de ''um grande incentivador da revitalização do Porto de Antonina'', ele seria o responsável pela aproximação dos sócios do TPPF dos empreendedores paranaenses.
A oposição acusa o governo de, em 2007, já ter influenciado o rompimento das negociações entre a Previ e um grupo canadense. O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) liberou só as mercadorias de congelados, o que inviabilizou a entrada do grupo no negócio, interessado em trabalhar principalmente com fertilizantes. Segundo Bertholdo, naquele ano, a TPPF trabalhava com 15% de carga frigorificada. 85% era com carga geral e fertilizantes. A decisão do IAP, ainda segundo ele, teria rendido um prejuízo direto de quase R$ 5 milhões. (C.S.)

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