Quanto à participação do advogado do auditor Luiz Antonio de Souza, Eduardo Duarte Ferreira, o promotor Renato de Lima Castro disse que ele estava "basicamente envolvido na estruturação de como seriam realizadas essas cobranças, essas extorsões, a participação em conversas cifradas, que demonstram que eles estavam almejando esconder o caráter delituoso das conversas, os esconderijos das coisas obtidas ilicitamente", comentou, afirmando que sua conduta foi muito além da atuação profissional.
O advogado explicou que agiu rigorosamente dentro dos limites legais e que não efetuou qualquer cobrança. Voltou a dizer que Souza não pratica extorsão, mas cobrava valores que havia emprestado a empresários antes de ser preso. "Eles jamais negou que fazia empréstimos." Sobre o pedido de rescisão do acordo, comentou que o considera desproporcional e que tal medida poderia ensejar sérios danos "ao que foi feito até agora", como pedidos de trancamento das denúncias e suspensão das investigações pelo Ministério Público Federal envolvendo o governador Beto Richa (PSDB). Foi Souza quem fez a acusação de que sua campanha de reeleição teria recebido dinheiro oriundo de propina da Receita. Questionado se Souza voltaria atrás no que declarou, Ferreira afirmou: "Não sei. Que vantagem ele teria em manter o que disse?". Defendeu ainda a repactuação do que foi tratado. "Isso é possível e seria melhor para todos."
O promotor afirmou ter convicção, pelos termos do acordo, que mesmo rescindido, nenhum ato da investigação seria prejudicado, uma vez que praticamente tudo o que Souza declarou foi confirmado por outros meios de provas, especialmente documentos, tais como ordens de serviço de fiscalização tributária e extratos bancários, além de depoimentos de pessoas que pagaram propinas. O próprio Souza refez as denúncias perante o juiz da 3ª Vara Criminal, em março, ao ser interrogado no processo relativo à Publicano 1. "Não vamos poder apagar esses fatos. Lógico que os advogados vão tentar minimizar ou enfraquecer a Operação em razão de eventual rescisão, mas tenho convicção de que não haverá qualquer prejuízo às investigações."
Castro disse que tal reincidência do delator "não deve causar espanto" justamente porque um colaborador premiado é alguém que já integrava uma organização criminosa. "Se colabora é justamente porque já pertenceu à organização." Ele também disse que, em tese, juridicamente, é possível novo acordo de delação premiada, tal como ocorreu com o delator da Lava Jato, Alberto Youssef. "No plano teórico é possível, mas poderia ocorrer em razão de fatos absolutamente novos." (L.C.)

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