Se Brizola liberar, Alvaro adere a Serra
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quinta-feira, 10 de outubro de 2002
Maria Duarte<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Está nas mãos de Leonel Brizola, presidente nacional do PDT, o rumo do partido do Paraná neste segundo turno. O candidato do PDT ao governo, senador Alvaro Dias, convocou entrevista coletiva na tarde de ontem, em Curitiba, para dizer que vai respeitar a diretriz nacional do partido ''que, neste momento, é apoiar Lula''. A declaração do candidato, porém, deixa uma brecha para mudança.
Como Luiz Inácio Lula da Silva está mais próximo do PMDB no Estado Roberto Requião declarou apoio escancarado ao petista, antes de Alvaro , o PDT poderia, desde que liberado por Brizola, dar espaço no Paraná a José Serra (PSDB), candidato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à sucessão.
A tese ganhou força depois de Osmar Dias (PDT), irmão de Alvaro e articulador político da camapanha pedetista, declarar que foi convidado por Serra para coordenar a campanha do tucano no Estado. ''Serra é meu amigo. Ele me fez esse pedido, mas eu tenho que seguir a orientação do meu partido.'' Osmar disse que vai conversar com Brizola sobre o assunto. ''Vou apresentar essa proposta que me foi feita e aguardar a orientação.''
Como a situação é desconfortável no Estado, Brizola poderia liberar o PDT do Paraná, desobrigando-o de fazer campanha ostensiva para Lula. Alvaro tem o apoio de uma ala do PSDB que faz campanha abertamente para José Serra. ''A campanha do Serra estará ao meu lado, pois o PSDB está com o Serra.'' Outros aliados oficiais de Alvaro, como o PTB e o PPB, também estão com Serra no Estado. ''Tenho que respeitar essas posições'', completou.
No entanto, Alvaro foi cauteloso. Disse que não faz parte de seus planos subir no palanque de Serra. O que Alvaro não fez segredo foi que, se o PT não trabalhar no Paraná por sua candidatura, ele não vai fazer campanha para Lula.
Osmar interpreta essa tentativa de reaproximação, feita por Serra, como ''arrependimento'' da cúpula do PSDB, que iniciou o processo de expulsão dos irmãos Dias quando eles assinaram a CPI da Corrupção, uma proposta da oposição contra o governo FHC.
O presidente estadual do PDT, Nelton Friedrich, também foi cauteloso ao abordar a definição do partido em relação aos presidenciáveis. ''O PDT tem sala no comitê nacional de campanha do PT. Não podemos esquecer que há costuras nacionais.''
Além das articulações nacionais, Alvaro está empenhado na costura de apoios locais para sua candidatura. Na coletiva de ontem, o senador disse não ter sido comunicado da decisão da executiva regional do PT, de respaldar Requião. Ele está convicto que uma parte dos petistas vai migrar para seu palanque. Sem citar nomes, Alvaro diz estar mantendo conversas com lideranças do PT, PFL e PSDB. ''Até domingo eu falo sobre isso (alianças). Depois, só falo de propostas''.
A Folha tentou ouvir Brizola ontem, mas ele não retornou a ligação feita para sua residência no Rio de Janeiro.


