No que depender dos votos dos membros da Mesa Executiva da Câmara de Londrina, o prefeito Barbosa Neto (PDT), deverá enfrentar a instalação de uma Comissão Processante (CP) para apurar a responsabilidade do chefe do Executivo municipal em irregularidades na formação e no treinamento da Guarda Municipal (GM). À FOLHA, dois, dos cinco membros da Mesa Executiva, confirmaram que concordam que a CP deve ser aberta - Gérson Araújo (PMDB) e José Roque Neto (PDT) - e Rony Alves (PTB), que não foi localizado pela reportagem, votou contra o relatório final da Comissão Especial de Investigação (CEI), assinado por Jairo Tamura (PSB) e Tito Valle (PMDB), que isentava o prefeito das irregularidades. Se aprovado pela maioria dos componentes da Mesa, o pedido de abertura de CP será colocado em votação no plenário.
Na próxima semana o procurador jurídico da Casa, Miguel Ângelo Garcia, deve dar seu parecer à respeito da admissibilidade da denúncia do vereador Joel Garcia (PTN) quanto às irregularidades no treinamento e na criação da GM e o pedido de Comissão Processante (CP).
Segundo o procurador, a maioria da Mesa deve concordar em levar a votação para o plenário. No final do ano passado, a denúncia foi entregue à Casa, e a procuradoria recomendou que fosse aberta uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para fazer uma investigação. Como o relatório final da CEI da GM foi rejeitado pela maioria dos vereadores na última sessão da Câmara, a denúncia - que originalmente pedia a abertura de uma CP - voltará ao procurador, que a encaminhará com parecer à Mesa Executiva.
O líder do prefeito na Casa, Roberto Fu (PDT), - membro da Mesa Executiva - afirmou que não concorda com a abertura de CP nesse caso. ''A denúncia já veio para a Mesa ano passado e abrimos a CEI. Agora temos que encerrar esse assunto. Existem na Câmara outras questões mais importantes para serem investigadas, e eu estou analisando cada uma dessas denúncias. Mas no caso da Guarda a investigação já terminou'', explicou, ressaltando que ''mesmo sendo líder do Executivo na Casa'', tem que ''admitir que algumas situações são muito sérias''.
Sebastião dos Metalúrgicos (PDT) também afirmou que não deve concordar com a deliberação ao plenário da abertura de CP. ''Eu votei à favor do relatório dos vereadores, por isso devo ir na mesma linha. Claro que temos que aguardar o relatório do procurador e analisar bem a denúncia'', explicou.
Já o presidente da Mesa, Gérson Araújo, afirmou que ''se o procurador admitir a denúncia'', deve concordar com a abertura de CP. ''Não acho que temos que abrir uma CP ou uma CEI só por abrir, mas temos que analisar bem o caso. Vou esperar o resultado da análise jurídica. Se o procurador achar que a denúncia cabe a abertura de uma CP, vou ser favorável.''
Roque Neto concorda com o presidente, e ainda salienta que ''com a abertura de uma CP, o prefeito terá a possibilidade de se defender'' das acusações feitas pelo vereador Joel Garcia. ''Temos que esclarecer todos os fatos, e se houver requisitos para abertura de CP, eu sou à favor'', explicou Roque.
Se levada à votação, são necessários 10 votos para abertura de CP. Levando-se em conta que o relatório da CEI, que foi rejeitado, contou apenas com seis votos favoráveis, o prefeito deve enfrentar dificuldade em barrar a formação da comissão.

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