''Se a Justiça tarda, já falhou''
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de outubro de 2001
De Londrina 
Enfrentar a tese de que não haveria crime organizado no Brasil foi a maior dificuldade apontada por Denise Frossard, quando se viu diante da denúncia de que 14 banqueiros do jogo do bicho estariam envolvidos em mais de 130 homicídios. O Ministério Público comprovou ainda um esquema de corrupção controlado por Castor de Andrade, com pagamento de propina para policiais e servidores público. Após a condenação dos bicheiros, Denise foi alvo de três planos de assassinato.
Folha Como foi atuar no caso dos banqueiros?
Denise O único jurista que admitia que poderia haver crime organizado no Brasil era o já falecido Heleno Cláudio Fragoso, que dizia: 'no Brasil não há crime organizado, se houvesse, seriam os bicheiros'. Mas finalmente eles foram denunciados por associação criminosa. E pela primeira vez na história do Brasil se disse que havia criminalidade organizada no País.
Folha A senhora sofreu algum tipo de pressão?
Denise Nunca sofri nenhum tipo de pressão. Naquele momento, julguei com toda tranquilidade. Eu gosto de repetir sempre que naquele momento havia um perfeito entrosamento, equilíbrio (entre MP e Judiciário). Cada um fazia o seu papel.
Folha Como a senhora vê hoje o Judiciário?
Denise O judiciário precisa de uma reforma, estar mais próximo do povo para garantir a estrutura de cidadania. Já houve uma melhora, mas é preciso mais, mais adestrado a lidar com o fenômeno da criminalidade organizada e principalmente apto a trazer de volta todo aquele dinheiro desviado. E esse braço econômico do crime organizado nunca é alcançado.
Folha Existe uma máxima que a ''Justiça tarda, mas não falha''. Como trazer agilidade à Justiça brasileira?
Denise Se ela tarda, ela já falhou. Mas ela não pode ser mais ágil do que é se não lhe foi conferido um modelo, uma estrutura. E (os responsáveis pela mudança) são os senhores parlamentares, que nós pagamos para que façam isso.'' (C.O.)


