O presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco (sem partido), recusou a oferta do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para assumir a Secretaria de Governo, encarregada de fazer a coordenação política no seu segundo mandato. As implicações do cargo - vinculado diretamente a políticos - e a vontade pessoal em permanecer no comando de Itaipu levaram Scalco a declinar do convite.
Ex-coordenador da campanha eleitoral de Fernando Henrique, Euclides Scalco já havia antecipado a sua recusa ao cargo no último domingo, quando conversou longamente à tarde com o presidente em Brasília. Scalco garantiu a sua permanência na Itaipu e teve papel decisivo na indicação do deputado federal Pimenta da Veiga (PSDB), que deve ser confirmado logo mais pelo presidente para ficar em seu lugar.
A recusa de Scalco movimentou os meios políticos ontem. O governador Jaime Lerner (PFL) e o senador eleito Álvaro Dias (PSDB) souberam da decisão de Scalco à tarde. Lerner encontrou-se com o deputado federal Rafael Greca (PFL), cotado para assumir a pasta do Esporte, Turismo e Juventude. O governador aconselhou Greca a aceitar a oferta, caso o convite venha a se formalizar hoje pela manhã.
Álvaro Dias passou o dia em Maringá, acompanhando a recuperação da mãe que está doente. ‘‘Era uma fria. O Scalco ia ter de enfrentar o ACM e companhia’’, observou. O ex-governador não escondia ontem o seu descontentamento com a indicação de Rafael Greca para um ministério. ‘‘Nós do PSDB levamos um documento para o presidente, reivindicando espaço, sem nomes. Eu discordo com o critério utilizado pelo PFL’’, declarou.
Para ele, o presidente não deve ser pressionado para tomar decisões. ‘‘Quem compõe um ministério é o presidente’’, considerou. ‘‘Se o PSDB não ficar com as Comunicações, o partido ficará diminuido com certeza. Nos resumiremos a dois ministérios, o que na minha opinião é uma coisa ruim’’, classificou ele. Álvaro disse que não acredita em nenhum convite de última hora para o PSDB do Paraná.

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