Arquivo FolhaTranquiloOs cargos são de livre escolha do presidente. A última vez que conversei com ele foi há 20 diasO presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco (sem partido), voltou mais uma vez a ser cotado para a coordenação política do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para o segundo mandato. A revista ‘‘Istoɒ’, desta semana, e a coluna Painel da ‘‘Folha de S. Paulo’’, de ontem, trazem nos seus noticiários a indicação do paranaense como um dos componentes de uma reforma ministerial costurada pelo PSDB.
A reengenharia que até o mês que vem tomaria corpo é vista pelos tucanos como uma das soluções para acomodar interesses partidários e dinamizar o governo, bombardeado nos últimos meses pela crise cambial, CPI do sistema financeiro, e recentemente pelo grampo no BNDES. Scalco assumiria o papel de coordenador político - mesmo cargo que já recusou no ano passado - e atuaria no meio de campo com os também aliados PFL e PMDB.
Procurado pela Folha ontem, Scalco disse que soube das especulações pela imprensa. ‘‘Os cargos são de livre escolha do presidente. A última vez que conversei com ele foi há 20 dias.’’ Scalco acha que o governo federal está ‘‘bem representado’’ na articulação política com o ministro das Comunicações e amigo pessoal, Pimenta da Veiga, que, pela ‘mexida’ divulgada pela ‘‘Istoɒ’, estaria com endereço certo para o Ministério do Desenvolvimento, no lugar de Celso Lafer.
Scalco afirmou estar ‘‘muito bem’’ no comando de Itaipu, função que exerce há três anos. ‘‘Apesar da crise que assolou o Paraguai (país vizinho que divide com o Brasil a responsabilidade pela gestão da hidrelétrica)’’, ressalvou. Assim como ao fim da campanha eleitoral passada - quando foi cogitado pela primeira vez para assumir a coordenação política do segundo mandato - Scalco evitou ontem dirigir seus comentários a Clóvis Carvalho, que atualmente responde pela Casa Civil, e que na época foi apontado como um dos empecilhos para o seu ‘‘sim’’. ‘‘O trabalho do Clóvis é mais administrativo, não tem nada de política’’, resumiu.
Para o presidente de Itaipu, o ‘inferno astral’ do governo federal começa a se diluir de agora em diante. ‘‘A situação está melhorando e a turbulência se dissipando’’, disse numa referência à crise cambial, que durante meses vem movimentando a economia e a política brasileiras. ‘‘O dólar não está naquela cotação de R$ 2,00 que era esperada. As coisas estão se encaminhando. Acho que está de bom tamanho’’, considerou Scalco.

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