Scalco é cogitado para nova função
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domingo, 06 de junho de 1999
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaTranquiloOs cargos são de livre escolha do presidente. A última vez que conversei com ele foi há 20 diasO presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco (sem partido), voltou mais uma vez a ser cotado para a coordenação política do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para o segundo mandato. A revista IstoÉ, desta semana, e a coluna Painel da Folha de S. Paulo, de ontem, trazem nos seus noticiários a indicação do paranaense como um dos componentes de uma reforma ministerial costurada pelo PSDB.
A reengenharia que até o mês que vem tomaria corpo é vista pelos tucanos como uma das soluções para acomodar interesses partidários e dinamizar o governo, bombardeado nos últimos meses pela crise cambial, CPI do sistema financeiro, e recentemente pelo grampo no BNDES. Scalco assumiria o papel de coordenador político - mesmo cargo que já recusou no ano passado - e atuaria no meio de campo com os também aliados PFL e PMDB.
Procurado pela Folha ontem, Scalco disse que soube das especulações pela imprensa. Os cargos são de livre escolha do presidente. A última vez que conversei com ele foi há 20 dias. Scalco acha que o governo federal está bem representado na articulação política com o ministro das Comunicações e amigo pessoal, Pimenta da Veiga, que, pela mexida divulgada pela IstoÉ, estaria com endereço certo para o Ministério do Desenvolvimento, no lugar de Celso Lafer.
Scalco afirmou estar muito bem no comando de Itaipu, função que exerce há três anos. Apesar da crise que assolou o Paraguai (país vizinho que divide com o Brasil a responsabilidade pela gestão da hidrelétrica), ressalvou. Assim como ao fim da campanha eleitoral passada - quando foi cogitado pela primeira vez para assumir a coordenação política do segundo mandato - Scalco evitou ontem dirigir seus comentários a Clóvis Carvalho, que atualmente responde pela Casa Civil, e que na época foi apontado como um dos empecilhos para o seu sim. O trabalho do Clóvis é mais administrativo, não tem nada de política, resumiu.
Para o presidente de Itaipu, o inferno astral do governo federal começa a se diluir de agora em diante. A situação está melhorando e a turbulência se dissipando, disse numa referência à crise cambial, que durante meses vem movimentando a economia e a política brasileiras. O dólar não está naquela cotação de R$ 2,00 que era esperada. As coisas estão se encaminhando. Acho que está de bom tamanho, considerou Scalco.


