O coordenador político da campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição, Euclides Scalco, disse ontem que o governo não tomará medidas que coloquem em risco a estabilização econômica com o objetivo de melhorar a popularidade do presidente, que está em queda, segundo as últimas pesquisas eleitorais realizadas. O secretário-geral da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, também reagiu ao temor expressado por investidores estrangeiros de que o mau desempenho do presidente nas pesquisas leve o governo a ceder a pressões para elevar os gastos públicos.
‘‘Isso não vai acontecer, definitivamente’’, garantiu o secretário. ‘‘A estabilização é a porta para o crescimento’’, enfatizou, afirmando que esses programas que estão sendo caracterizados como eleitoreiros, como os financiamentos da agricultura familiar (Pronaf) e da habitação, são antigos. ‘‘Esses programas começam com poucos recursos e o volume de crédito vai crescendo à medida que os resultados vão surgindo’’, explicou Mendonça de Barros.
A avaliação de que as dificuldades enfrentadas pela candidatura de Fernando Henrique põem em risco a política fiscal foi externada, entre outros, por Francisco Gros, ex-presidente do Banco Central do Brasil e atualmente diretor, em Nova York, do Banco de Investimentos Morgan Stanley Dean Witter para a América Latina.
Euclides Scalco disse que não está informado sobre os programas do governo para a criação de empregos, como o incentivo à construção civil e o financiamento da agricultura familiar, mas acredita que os recursos para esses programas estejam previstos no Orçamento da União. ‘‘O presidente Fernando Henrique já fez um pacote fiscal drástico em outubro do ano passado para manter a estabilização da moeda e não vai colocá-la em risco agora, ainda que seja véspera de eleição’’, sustentou o ex-presidente do PSDB e da Itaipu Binacional.
Para Euclides Scalco, a queda na popularidade do presidente foi ‘‘sustada’’ e a tendência agora é de reversão a partir do fim deste mês. O coordenador político da campanha do presidente viaja hoje à noite de Curitiba para Brasília, onde fixará residência até as eleições.
Hoje, ele deverá encontrar-se com os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e com os líderes dos partidos aliados ao governo. ‘‘No momento em que fui indicado o representante do presidente Fernando Henrique na campanha, é meu dever visitar os aliados para me apresentar’’, justificou, ressaltando que não estará acima de ninguém na hierarquia do comitê da reeleição. ‘‘Será um trabalho de equipe’’, definiu Euclides Scalco. (AE)

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