O presidente licenciado da Sercomtel Rubens Pavan reassume o comando da empresa a partir da próxima terça-feira, data da assembléia extraordinária do Conselho de Administração da telefônica. A manutenção de Pavan na presidência da mais rentável estrutura da administração municipal de Londrina foi confirmada ontem por volta das 23 horas pelo prefeito Jorge Scaff (PSB), depois de um dia de intensas versões sobre o afastamento.
Pavan chegou à noite de São Paulo a tempo de se reunir com Scaff e comunicar a intenção de permanecer à frente da Sercomtel. Durante toda o dia era dada como certa a informação de que Pavan entraria em licença por tempo indeterminado e que o vice-presidente, Paulo César da Silva Machado seria o seu substituto. O próprio Scaff confirmou a mudança à imprensa, pela manhã.
‘‘O interesse é do município. Não queremos mudanças que não sejam convenientes’’, justificou Scaff, por volta das 23 horas, por telefone. O prefeito confirmou que horas antes estava acertada a prorrogação da licença de Pavan e sua substituição pelo vice-presidente. Scaff recebeu a visita do presidente licenciado por volta das 22h30m, enquanto falava com a reportagem.
No encontro, os dois acertaram a permanência do presidente e logo falaram com exclusividade à Folha. Primeiro o prefeito que, em seguida, passou o telefone para Pavan. ‘‘Estamos a quatro meses do final administração, não há qualquer razão para substituir o presidente’’, afirmou Scaff.
Pavan disse que retornou a Londrina por volta das 21 horas. Ele disse que esteve três dias em Osasco (SP), cuidando de um projeto considerado fundamental pela empresa, que é a estruturação de uma TV cabo naquela cidade. Segundo ele, ‘‘o momento é de decisões delicadas’’, motivo pelo qual ele decidiu pelo afastamento, que expira na terça-feira.
Sobre sua permanência na empresa, Pavan afirmou que em momento algum pensou em deixar o cargo, embora admita que a indicação pertence aos acionistas da Sercomtel. ‘‘Na reunião de segunda-feira em Curitiba, obtive o apoio da Copel e da prefeitura para ficar no cargo’’, disse Pavan às 21h40, quando fez o primeiro contato com o jornal. A reunião de Curitiba contou com a presença de Scaff e o presidente da Copel Ingo Hubert. Na ocasião, Hubert havia afirmado que a indicação de nome para o cargo é da competência da prefeitura.
Pavan, que é advogado e funcionário de carreira da Sercomtel há 23 anos, afirmou que vai presidir a assembléia de terça-feira e que a idéia é enxugar as diretorias, conforme plano dos sócios da empresa. O número de diretores também deverá ser reduzido de sete para cinco, sendo que um deverá acumular outras funções.
A saída de Pavan, que chegou a ser dada como certa, foi adiantada pela Folha no final do mês passado, depois que o nome do executivo foi incluído na ação penal impetrada pelo Ministério Público (MP). Na ação o MP pediu a prisão preventiva do prefeito cassado Antonio Belinati (PFL), além de oito assessores e ex-secretários municipais, entre eles Pavan. Ontem à noite, Pavan confirmou que comparece hoje à audiência da Comissão Processante que investiga irregularidades na venda de açõe da Sercomtel. ‘‘Vou para dar as explicações que os vereadores desejarem’’, afirmou.

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