Ednelson Alves - Especial para a Folha
e Lucilia Okamura - De Londrina

Com o afastamento do prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), determinado ontem pela Justiça, começou um festival de especulações sobre quem irá assumir o cargo. O vice-prefeito, Alex Canziani (PSDB), assumiu sua vaga na Câmara Federal e, portanto, não pode ficar à frente da prefeitura de Londrina. O presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), está se recuperando de uma diverticulite e permanece de licença médica. O presidente em exercício, Jorge Scaff (PSB), o próximo da lista a assumir a prefeitura, não quis anunciar ontem sua decisão.
‘‘Vou ouvir especialistas em legislação eleitoral sobre a questão da inelegibilidade’’, alegou Scaff. ‘‘A minha prioridade é concorrer à reeleição para vereador. Se assumir a prefeitura significar que não poderei ser eleito, então terei que pensar muito bem sobre essa questão’’, justificou.
O impedimento de concorrer à reeleição é apenas parte da dúvida de Scaff. O temor do presidente em exercício é o de permanecer apenas algumas horas ou dias à frente da prefeitura, pois não há como afastar a possibilidade de Belinati voltar por força de liminar. Caso tivesse certeza de que o prefeito não teria a menor chance de voltar, certamente Scaff não carregaria consigo tantas preocupações em assumir o executivo londrinense pelo menos por sete meses.
Aos 70 anos, ex-presidente da Arena, vereador de 1972 a 1976, ex-presidente do Grêmio Literário e Recreativo Londrinense, fiscal aposentado da Receita Estadual, Scaff quase foi candidato a prefeito de Londrina em 1976. ‘‘Eu era presidente da Arena. Como, pela legislação eleitoral da época, havia a possibilidade de o MDB lançar três nomes, e a Arena havia lançado apenas Mário Stamm e Neco Garcia, meu nome foi cogitado para reforçar a legenda da Arena’’, lembra. ‘‘Na última hora, o Pedro Vasconcelos acabou apresentando seu nome e fiquei apenas coordenando o partido.’’
Coincidentemente, aquela foi a primeira vitória de Belinati como prefeito de Londrina. Aos 33 anos, ele obteve 36.356 mil votos e sozinho fez mais que os três candidatos da Arena, que totalizaram 33.969 votos. Wilson Moreira, que também era do MDB, contava com apoio do prefeito José Richa, e obteve 10.164 votos.
Se em 1976 Scaff tentou ser candidato a prefeito, 24 anos depois ele pode receber o cargo, talvez até por sete meses, de graça. Mas como não sabe por quanto tempo poderá ficar à frente do Executivo, o vereador preferiu protelar sua decisão até quando tiver tempo para pensar.
Ontem, após dar uma entrevista na Câmara, estrategicamente Scaff saiu de cena. Eram 15h50 (dez minutos antes da divulgação do despacho judicial), quando ele entrou em seu carro, ‘‘esqueceu’’ o celular em casa e não informou para onde iria.
‘‘O interesse pessoal do presidente em exercício na Câmara de Vereadores, Jorge Scaff (PSB), não pode se sobrepor ao interesse público.’’ A afirmação é do advogado e professor de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antonio Baccarin, comentando a afirmação do vereador de que está pensando em não assumir o cargo de prefeito para não se tornar inelegível.
A questão sobre quem assume o cargo na administração pública se tornou um dos assuntos mais comentados ontem, mesmo antes do despacho judicial que determina o afastamento do prefeito Belinati. Baccarin informou que, em condições normais, o cargo ficaria para o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB), que está de licença médica. ‘‘O afastamento por licença médica decorre da lei’’, observou.
No caso de Jorge Scaff, substituto imediato de Araújo, o professor da UEL ressalta que ele precisa pensar nas atribuições de deveres do cargo. ‘‘Ele não pode se negar em exercer uma atribuição própria do cargo’’, afirmou. ‘‘O vereador não pode simplesmente dizer que não vai assumir; se ele não quer exercer, tem que renunciar à presidência’’, acrescentou.
No caso de Scaff optar por deixar a presidência, Baccarin entende que a Mesa Executiva tem que ser recomposta para verificar quem ficaria com a presidência. Atualmente, fazem parte da Mesa Executiva os vereadores Roberto Scaff (PSDB), como primeiro secretário, e Valdemir Araújo (PMN), no cargo de segundo secretário.

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