Depois de uma semana tumultuada, onde sobraram especulações sobre mudanças no comando da Sercomtel S/A, o prefeito de Londrina, Jorge Scaff (PSB), asssegurou que até o final do mandato não pretende mais promover alterações no primeiro escalão da administração municipal. O prefeito fez as declarações aos jornalistas, antes da reinauguração de uma praça no centro da cidade, e reafirmou no discurso durante a cerimônia. ‘‘Gostaria que a imprensa parasse de me perguntar sobre mudanças que não vão ocorrer’’, destacou.
Segundo Scaff, o principal objetivo da prefeitura no momento é equacionar os problemas financeiros para garantir o pagamento de funcionários e fornecedores. Ele observou que está em final de mandato – faltam quatro meses para que o novo prefeito assuma – e que alterações agora poderiam trazer intranquilidade. ‘‘Temos que ter calma. E não adianta fazer modificações, fusão de secretaria, que são contra a visão do prefeito que será eleito em outubro. Eu quero colaborar com a nova administração’’, disseá. Ele assegurou que não pretende fazer campanha para nenhum dos cinco candidatos na eleição majoritária.
A discussão sobre troca de nomes na administração por pouco não abriu uma crise entre o Executivo e a Câmara, quando parte dos vereadores condicionou um eventual apoio à eleição indireta de Scaff no mandato tampão da prefeitura à uma reforma radical no secretariado. Mesmo sem atender totalmente os vereadores – algumas mudanças ocorreram, como na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) –, Scaff foi confirmado no cargo pelos vereadores.
Sobre a polêmica da saída de Rubens Pavan da presidência da Sercomtel – anunciada e depois negada pelo próprio Scaff no mesmo dia – o prefeito disse que este é um episódio que já foi superado. Ele explicou que a intenção de pedir licença da telefônica foi manifestada pelo próprio Pavan para que ele pudesse cuidar da implantação de TV a cabo em Osasco (SP) e São José, na Grande Florianópolis (SC) – que serão operadas pela Sercomtel ‘‘Mas ele conseguiu adiantar os trabalhos, as coisas caminharam bem, e por mim ele está confirmado no cargo até o final do ano.’’
Pavan – que já havia tirado licença de 15 dias da Sercomtel e reassume o cargo terça-feira, durante assembléia extraordinária do Conselho de Administração – também esteve na cerimônia de ontem e reafirmou as informações do prefeito. ‘‘Estamos com tarefas pesadas fora de Londrina e que precisam do apoio direto da cúpula. Mas essa semana que passei foi suficiente para adiantar o trabalho’’, disse o presidente, que pretende ficar à frente da telefônica até o dia 31 de dezembro. ‘‘Depois espero continuar na empresa como funcionário de carreira.’’ Ele trabalha na Sercomtel há 23 anos.
Pavan disse ainda que considera superada a polêmica sobre o preço alcançado pelo município com a venda de 45% das ações da Sercomtel. Um trabalho realizado por um perito de Londrina, solicitado pela Câmara, concluiu que se a venda das ações tivesse sido realizada em bolsa de valores, e não diretamente à Copel, o ágio poderia ter sido maior. O presidente da telefônica argumentou que além do mercado de ações ser instável, a venda da Sercomtel foi parcial – e por isso não é possível comparação com empresas que tiveram o controle comercializado.
Pavan adiantou que na assembléia de terça-feira serão discutidas propostas de enxugamento da Sercomtel, com fusões de conselhos de administrações e diretorias das empresas de telefonia fixa e celular. Sobre o pedido de prisão feito pelo Ministério Público Estadual, por causa de suposto envolvimento no pagamento irregular de um show artístico, Pavan respondeu que tem sido alvo de ‘‘manobras mentirosas’’. ‘‘Não vejo razão que isso prospere. Se algum dia eu receber uma penalização, até por atitude de menor cuidado, vou responder com tranquilidade’’, disse.

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