Scaff admite que pode cortar pessoal
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
Chiara Papali De Londrina Especial para a Folha 
O prefeito interino de Londrina, Jorge Scaff (PSB), admite reduzir a frente de trabalho da prefeitura se houver comprovação de que há funcionários recebendo sem desenvolver um trabalho interessante para o município. Queremos deixar tudo arrumado para o próximo prefeito, até corte de pessoal será feito se percebermos que há um excesso de funcionários que não trabalham, garantiu.
Scaff se reuniu ontem com a direção do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), que levou ao prefeito interino uma proposta de reforma administrativa, elaborada por uma comissão de servidores e diretores do sindicato. O secretário de imprensa do Sindserv, Gláudio Renato de Lima, calcula que a prefeitura gasta R$ 7 milhões por ano com a frente de trabalho e que é possível obter um economia de pelo menos R$ 1 milhão com o corte de pessoal.
De acordo com Lima, o sindicato propõe o corte de pessoas que estão em cargos burocráticos, sem atingir àqueles que estão no setor de serviços braçais. Frente de trabalho para quem trabalha, afirma. Segundo ele, um levantamento parcial feito na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), pela ex-chefe de gabinete, Sandra Graça, constatou a existência de pelo menos 56 funcionários fantasmas.
A comissão para discutir mudanças administrativas na prefeitura terá representantes das secretarias de Governo, Recursos Humanos e Fazenda. O Sindserv terá o apoio técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O estudo deverá estar pronto no máximo em 45 dias.
Segundo Marlene Valadão Godoi, presidente do Sindserv, a entidade propõe uma administrativa adequando os gastos da prefeitura à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), sem prejuízo aos servidores. Queremos apontar à administração onde ela pode estar economizando, sem que isso implique em corte de benefícios dos servidores, explicou. A LRF determina que não se comprometa mais que 60% da receita com despesas de pessoal, sendo 54% para o Executivo e 6% para o Legislativo, incluindo mão-de-obra terceirizada, como as frentes de trabalho. De acordo com a presidente do Sindserv hoje os gastos com folha de pagamento variam de 62% a 68% da receita.
Outra proposta é a fusão ou extinção de secretarias e autarquias municipais. As propostas serão baseadas numa análise detalhada de todos os gastos da administração pública, não se restringindo aos custos da folha de pagamento, afirmou.
Scaff pediu um relatório aos secretários para saber se os funcionários da administração estão correspondendo às expectativas. Ele também vai aguardar o trabalho da comissão para analisar qual medida será tomada ou se haverá demissões. Quando trouxerem os resultados, caberá a mim tomar uma posição, afirmou.
O secretário de Administração, José Araídes Fernandes, garantiu que a prefeitura já está se adequando à LRF. Uma das medidas será adotada a partir do próximo mês, quando o município passará a comprar gasolina e diesel direto de empresas petrolíferas, ao invés de abastecer os carros em postos. José Fernandes espera que essa medida proporcione uma redução de 40% nos gastos com combustível. (Colaborou Lino Ramos)


