Saúde não pode esperar, afirma FHC
Saúde não pode esperar, afirma FHC
Presidente diz em entrevista em Madri, onde chegou sábado e permanece por três dias, que saúde no Brasil tem urgência
Agência Estado
A solução para o financiamento da Saúde no País é uma necessidade urgente e não pode esperar pela reforma tributária, afirmou o presidente Fernando Henrique Cardoso ontem, antes de sair do hotel Ritz, onde está hospedado em Madri (Espanha), para um encontro de trabalho seguido de almoço com o primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar.
Não podemos perder os R$ 7,5 bilhões de recursos para a saúde, declarou o presidente, sem querer confirmar a proposta de transformar em permanente a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O ministro Serra está negociando esta matéria da questão da saúde pelo governo.
Temos a necessidade de ter, no ano que vem, já algum recurso para a saúde, comentou o presidente. Fernando Henrique contou que conversou sobre esse assunto com o ministro da Saúde, José Serra, antes de sair de Brasília. Quero deixar claro o seguinte: embora haja discussões sobre a reforma tributária, ela é muito importante, complexa e nós vamos fazê-la; mas, agora, a saúde tem urgência, disse.
Fernando Henrique Cardoso confirmou sua intenção de assinar rapidamente a Medida Provisória que deverá regulamentar a lei sobre planos de saúde e evitar que, na transição para as novas regras, os atuais associados sejam prejudicados por mudanças ou cancelamentos nos contratos antigos. É para evitar que haja, na transição, prejuízo por parte daqueles que são filiados a planos de saúde, garantiu.
A regulamentação dos planos, segundo o presidente, também foi discutida longamente com o ministro Serra, na sexta-feira, no Palácio da Alvorada. Ele está preparando uma série de idéias a respeito, que foram discutidas no Senado, disse. Não sei especificamente o que vai tratar e não quero me adiantar sobre o que haverá, desconversou.
Seguindo os termos da negociação com os parlamentares e baseados na análise das brechas existentes na lei aprovada no Congresso, técnicos do Ministério da Saúde preparam a Medida Provisória que será assinada em breve pelo presidente Fernando Henrique. As regras deverão proteger associados de idade mais alta, para evitar represálias das empresas de planos à regra que proíbe reajustes para associados com mais de 60 anos de idade e 10 anos de contribuição.
Fernando Henrique falou também do encontro que terá em Genebra com o primeiro ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair - que em entrevista ao jornal espanhol El País, ontem, citou os presidentes brasileiro e dos Estados Unidos, Bill Clinton, como as pessoas com que pretende discutir a proposta de uma terceira via mundial entre o socialismo e o liberalismo puro.
O próximo século não pode ser do predomínio do mercado, tem que ser do predomínio da justiça e tem que se ver como é que vamos fazer com que a justiça predomine, comentou Fernando Henrique, ao antecipar o teor de suas conversas com os chefes de Estado estrangeiros nos próximos dias.





