Saúde concentra campanha em Cambé
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domingo, 27 de julho de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A saúde pública será o grande tema da campanha para a prefeitura de Cambé em 2008 - na avaliação dos próprios candidatos. Para o atendimento de 92 mil habitantes (IBGE 2007), o município conta com 12 unidades básicas e apenas um hospital vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os maiores problemas estão na crônica falta de médicos, e, segundo os candidatos oposicionistas, também na escassez de medicamentos. O orçamento do município em 2008 é de aproximadamente R$ 85 milhões.
O atual prefeito, Adelino Margonar (PMDB), que tenta a reeleição pela coligação de 15 partidos denominada ''Unidos por Cambé'', reconhece o déficit de profissionais nos postos de sa© úde. ''É um problema, você faz concurso, mas depois a pessoa vai para onde pagam melhor. Isso não acontece só em Cambé.'' A falta de remédios, porém, é contestada por ele.
Dentre as principais características de sua gestão, ele destaca os investimentos em educação -''muramos todas as escolas'' - e o pagamento de dívidas de administrações anteriores. Sobre a contratação de funcionários em cargos comissionados, que é criticada pelos adversários, Margonar afirma que Cambém tem hoje 51 servidores neste tipo de função.
O candidato pela coligação ''Cambé da gente'', Armando Martins (PSC), disse que os problemas de saúde pública são graves. Médico por profissão, Dr. Martins afirma que os postos de saúde não conseguem resolver os problemas. ''O reflexo eu vejo diariamente no pronto-socorro. Nos postos, a resolutividade é baixa.'' De acordo com ele, a falta de medicamentos nos postos ''também é evidente''. Sobre a educação, o candidato pretende preparar o município para assumir as turmas de 5 a 8 séries. ''A lei diz que as cidades vão ser responsáveis por todo o ensino fundamental e teremos que nos preparar.''
Dr. Martins ainda fez uma análise crítica da atual administração por ''perder a oportunidade de atacar os reais problemas da cidade''.''Esperava-se uma gestão mais ágil e que atendesse as necessidades da população, com construção
de casas, por exemplo, mas isso não aconteceu.''
O vice-prefeito Carlos Alberto Abud (PV), que é candidato pela coligação ''Cambé cidade do futuro'', afirmou que a administração tem que começar a pensar na saúde preventiva. ''Não dá para falar só em tratamento curativo, nosso esforço tem que alcançar a prevenção'', disse. O candidato, que é mais conhecido na cidade como ''Berro'', fez questão de frisar que rompeu com a atual administração ''há mais de três anos''.''Tem que colocar isso aí porque a atual administração não fez nada e isso me prejudica muito. Eu rompi porque o prefeito não cumpriu com o combinado e encheu a administração de cargos comissionados'', criticou.
Na avaliação de ''Berro'', Cambé está ''horrível''. ''Não tem creches, não tem projeto social para atender 70% da comunidade e não tem lei para a pequena e média empresa. É uma gestão que não olha para o povo.'' Para reverter os problemas, ele prega investimentos na escola integral e no esporte.
O atual vereador João Pavinato (PSDB), da coligação ''A vitória do povo'', também tem uma visão crítica da atual administração. ''A prefeitura se distanciou da comunidade e não presta contas do que faz. Se você fizer uma pesquisa, vai constatar que o principal problema da cidade é a saúde, mas o prefeito prefere gastar dinheiro com 240 cargos comissionados'', afirmou. ''O reflexo disso é que não temos estrutura para ensino profissionalizante e a fila para vagas em creche passa de 1.500 pessoas. Temos que trabalhar em cima dessas questões e agir com transparência na prefeitura.''
Ele pretende fazer uma gestão participativa. ''Vamos priorizar o uso do dinheiro público nas questões efetivamente importantes e prestar contas disso à população.''


