Saturnino muda posição e adia relatório
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sexta-feira, 04 de maio de 2001
Das Agências 
O relator da investigação da violação do painel eletrônico de votação do Senado, senador Roberto Saturnino Braga (PSB-RJ), informou ontem que não vai mais entregar seu relatório na próxima semana, como estava previsto, e que já pediu mais prazo ao presidente do Conselho de Ética, Ramez Tebet. Em discurso feito na tribuna do Senado, Saturnino Braga mostrou-se irritado com notícia publicada ontem no Jornal do Brasil de que ele teria antecipado a assessores sua decisão de pedir a cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda.
Saturnino alertou para a competição que, segundo ele, está havendo nos órgãos de imprensa com o objetivo de criar um clima mobilizador da opinião pública contra as instituições políticas, de um modo geral. Mas ele admitiu ter comentado com dois de seus assessores a sua tendência pela cassação. Porém, diante do vazamento da informação, disse que vai examinar melhor o assunto.
O senador disse que na conversa com seus assessores, depois da acareação de anteontem, ele reconheceu que como relator não obteve sucesso na tentativa de extrair uma versão mais coerente sobre a violação do painel. Saturnino Braga disse que admitiu a seus assessores que a impressão que ele tinha era de que, de um lado, a ex-diretora do Prodasen, Regina Borges, apresentava uma versão coerente, enquanto os senadores ACM e Arruda deram versões pontilhadas de incoerências e contradições. Saturnino Braga disse também aos assessores, segundo seu próprio relato, que apenas estaria inclinado pela cassação.
Para o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), não existem motivos que justifiquem o adiamento da entrega do relatório. Se tivesse um fato novo, tudo bem. Mas não tem. Por isso defendo a entrega do relatório o mais rápido possível, disse Barros. Na oponião dele, o adiamento beneficia o senador Antônio Carlos Magalhães. Nós estamos claramente diante de uma estratégia do senador Antônio Carlos Magalhães para protelar o processo, para que ele caia no esquecimento da população, disse.
Também ontem, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) disse acreditar que não mereça nenhuma punição. Pelo que tenho sabido, acredito que o conselho não vai tomar a decisão de me suspender até o fim do mandato. Acho que não mereço nenhuma punição, afirmou o senador, durante a entrevista coletiva que convocou para às 15h30. Prefiro não ser punido.
Já o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o Brasil real não é não o da falta de vergonha, da mentira, da esperteza e da infâmia, que fica o tempo todo tratando de destruir o outro. O presidente fez a declaração na Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto (SP), na qual foi premiado pela contribuição do governo federal para o desenvolvimento agropecuário.


