Patrícia Zanin
De Londrina
O prefeito afastado de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), Luiz Sato (PFL), que teve seu mandato cassado pela Justiça há cerca de dois meses por improbidade administrativa, volta a sofrer um novo processo. A juíza da comarca de Uraí (que atende Jataizinho) Denise Terezinha Correa de Melo Krueger, condenou Sato à perda da função pública, à suspensão de seus direitos políticos pelo prazo de cinco anos, ao pagamento de multa de dez vezes o valor da maior remuneração recebida pelo juiz, e ao pagamento das custas processuais.
A juíza acatou a ação civil pública proposta pelo promotor José Roberto Manchini, que denunciou o prefeito por improbidade administrativa. O promotor constatou fraude em licitação para a construção de uma creche no município. Ele determinou ainda a paralisação das obras.
A sentença da juíza foi proferida no último dia 28 de outubro, mas só se tornou pública ontem. A Câmara de Jataizinho está investigando denúncias de irregularidades cometidas por Sato em três comissões: duas processantes e uma especial de inquérito. Os vereadores tiveram acesso ontem à sentença, que considera nulos os editais de licitação e os contratos administrativos das obras da creche.
Denise Terezinha também determina ao Banco do Brasil ‘‘o imediato bloqueio da conta convênio referida nos autos, até o julgamento final da ação’’. Além do prefeito, a juíza condenou funcionários da comissão de licitação da prefeitura – Willian Roberto da Silva, José Roberto Pavão, Vera Lúcia Chamilete Queiroz, Dirceu Antunes e Maurício Aparecido Terra, além de Yukuwo Kubo e as empresas Prex-Construções Civis e Obra-Prima Construções e Empreendimentos Ltda. e Norberto Farinha.
O presidente de uma das comissões processantes da Câmara, vereador Osmilto Lopes (PDT), disse ontem que a comissão vai propor a cassação do mandato de Sato. Segundo ele, o prefeito foi afastado pelo Legislativo por 180 dias, mas de acordo com o vereador, a comissão tem provas suficientes sobre irregularidades cometidas por Sato como o fato de receber como médico do município apesar de ser prefeito, não repasse à Câmara de balanços mensais da prefeitura, não responder aos pedidos de informações do Legislativo, além de falta de repasse dos salários dos vereadores. Outra comissão investiga denúncias de irregularidades em convênios firmados pela prefeitura com o Estado e a União.
Valério Zanini (PDT), que era vice de Sato, foi empossado como prefeito no dia 21 setembro. Luiz Sato foi procurado pela Folha ontem, mas não foi localizado. Em sua casa, um funcionário que se identificou apenas como Laércio informou que ele está em Curitiba desde quarta-feira, mas não soube dizer o motivo da viagem.

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