Sarney volta a ser opção do PMDB
Sarney volta a ser opção do PMDB
Ala rebelde do partido sente-se estimulada com recuo de FHC nas pesquisas e dirige suas atenções para o ex-presidente
Arquivo FolhaImbróglioJosé Sarney: atraído pela Presidência, mas dividido entre continuar no Senado e reeleger a filha Roseana ao governo do MaranhãoAgência Folha
Com a queda de Fernando Henrique Cardoso nas pesquisas eleitorais e a decisão de Itamar Franco (PMDB-MG) de disputar o governo de Minas, o senador José Sarney (PMDB-AP) voltou a ser a opção do PMDB para concorrer à Presidência. O presidente nacional do partido, deputado Paes de Andrade (CE), líder da ala dissidente, encomendou pesquisa eleitoral que coloca Sarney com 11% na preferência do eleitorado. FHC e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficariam empatados com 28%. Com Itamar, o PMDB teria 8% dos votos.
Sarney não assume a candidatura, mas estimula as especulações em torno de seu nome. Com isso, ele espera fazer uma negociação que facilite a reeleição da governadora Roseana Sarney (PFL-MA). Os aliados do Palácio do Planalto acham que Sarney pretende também se cacifar para influir no possível segundo mandato de FHC. Eles avaliam que a candidatura de Sarney forçaria o segundo turno, mas acreditam que o ex-presidente ficaria em terceiro lugar, atrás de FHC e Lula.
Sarney ficaria sem o mandato de senador e sem espaço político no governo tucano. Hoje, ele teria uma reeleição certa ao Senado. A decisão final do PMDB será tomada no dia 27 de julho, na Convenção Nacional. Não é por acaso que Paes marcou a convenção para o último final de semana de junho. Uma semana antes, o PSDB e o PFL já terão realizado suas convenções e oficializado a coligação que irá tentar a reeleição de FHC.
A corrente governista do PMDB garantiu a FHC que terá maioria na convenção para aprovar a coligação com o PSDB. Eles consideram que o último obstáculo à aliança foi removido: Itamar.
Enterrar a candidatura de Sarney depende mais dos tucanos do que da ala governista do PMDB. Roseana está negociando o apoio do PSDB à sua reeleição, mas deputados tucanos preferem a aliança com o senador Epitácio Cafeteira, adversário histórico da família Sarney e pré-candidato ao governo pelo PPB. Os tucanos do Maranhão argumentam que, aliando-se a Roseana, perdem votos e espaço.
Na coligação de Cafeteira, há possibilidade de um tucano, provavelmente o deputado Jayme Santana, disputar o Senado com chances de vitória. A situação do Maranhão é tão delicada que a direção nacional do PSDB decidiu intervir nas negociações. Na próxima semana, a cúpula tucana deverá discutir a melhor opção para o partido com a direção regional. Depois do rompimento com FHC, o PTB está dividido entre Ciro Gomes (pré-candidato pelo PPS) e Sarney. A maioria dos deputados prefere o ex-presidente. Os governistas não acreditam, no entanto, que os petebistas levarão o rompimento até o fim. O partido está com FHC desde a campanha passada, e líderes regionais do PTB, como o ex-governador mineiro Hélio Garcia, já estão fechados com o presidente.
Mesmo o presidente nacional do PTB, senador José Eduardo de Andrade Vieira (PR), que provocou o rompimento, deixa em aberto a possibilidade de reconciliação: Foi um aviso que demos, uma pausa para reflexão e para negociação em cima de um programa. Vamos continuar votando com o governo, mas, para a reeleição, queremos discutir o programa.
Na última semana, para mais de um interlocutor, FHC disse que precisa dos aliados, mas não irá implorar apoio.





