Sarney se defende, mas não anula atos secretos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de junho de 2009
Gabriela Guerreiro<br>Folhapress 
Brasília - Sem anunciar punições pelos atos secretos editados no Senado nos últimos 14 anos, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), disse ontem que todos os 81 senadores são responsáveis pelas medidas aprovadas na instituição - sejam elas sigilosas ou não. Sarney disse que seria uma injustiça ser apontado como responsável pelos atos secretos, uma vez que o colegiado da Casa avaliza decisões tomadas pela Mesa Diretora da instituição.
Todos nós somos responsáveis. Nós aprovamos aqui os atos da Mesa. O Senado no seu conjunto aprovou os atos da Mesa. Temos que corrigir o que está errado. Eu estarei pronto para cumprir tudo o que o Senado decidir. Vou levar em frente, doa a quem doer, afirmou.
Ao discursar no plenário do Senado, Sarney fez um histórico da sua biografia política e cobrou mais respeito da mídia e da sociedade em geral pelas acusações que vem enfrentando desde que assumiu o comando da Casa. Não tenho nenhum problema na consciência, a não ser ter cumprido o meu dever. É injustiça do país julgar um homem como eu, de postura austera, família bem composta, que nunca aqui encontrou de minha parte sempre se não um gesto de cordialidade. Nunca neguei um voto que fosse a não ser no sentido de avançarmos na melhoria dos costumes da Casa.
O último escândalo do Senado envolve os mais de 500 atos secretos publicados ao longo dos últimos 14 anos e que foram usados para nomear, exonerar e aumentar salários de pessoas ligadas ao comando da Casa.
Sarney teve duas sobrinhas nomeadas por ato secreto: Maria do Carmo de Castro Macieira e Vera Portela Macieira Borges. Seu neto foi nomeado e exonerado do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) por ato secreto. Ele disse que isso não é motivo para faltarem com respeito à sua história.
Ver agora a pessoa sendo julgada porque uma neta minha e um neto meu (...) E por isso querem me julgar perante a opinião pública desse país? É a gente ter uma falta de respeito pelos homens públicos que nós temos.
Sarney afirmou que não sabia que Cafeteira tinha empregado seu neto. Porque pedi ao senador Delcídio que uma sobrinha da minha mulher, que é do Ministério da Agricultura, fosse designada para o gabinete dele? Que um neto meu foi nomeado para o gabinete do senador Cafeteira. Eu não pedi e não sabia. Ele próprio disse que não me falou, porque se dissesse talvez não tivesse concordado.
Sarney disse que já prestou muitos serviços ao país. Eu, depois de ter prestado tantos serviços a esse país, depois de passar pela presidência da República e enfrentar a transição democrática, fui o único governador do Brasil que não concordei com o AI-5. Quem foi o relator da matéria que acabou com o AI-5? Fui eu, afirmou o presidente do Senado. Se temos erros, eu não vou deixar de tê-los. Mas esses constituem extrema injustiça.
Punições
Sarney prometeu punir os responsáveis pela edição de atos secretos, mas disse desconhecer a existência das medidas sigilosas na Casa. Segundo o peemedebista, a comissão que investiga a edição de atos secretos vai apresentar os resultados do trabalho na próxima segunda-feira ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro-secretário da Casa.
O presidente do Senado disse que só vai tomar medidas para punir os responsáveis pelos atos secretos depois de analisar as conclusões da comissão - integrada por três servidores da instituição. Se alguém fez, vamos punir, vamos descobrir, para isso a comissão foi feita, afirmou.


