Brasília - O senador José Sarney (PMDB-AP) foi ontem à tribuna do Senado Federal para criticar a ação da Polícia Federal na empresa de sua filha, a governadora Roseana Sarney (PFL-MA). Ele atacou o presidente Fernando Henrique Cardoso, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.
Segundo Sarney, a invasão da Polícia Federal na sede da empresa Lunus, apesar de contar com mandado judicial, foi uma ação ilegal e política. Para o senador, o único objetivo era desestabilizar a candidatura de Roseana à Presidência da República.
A PF invadiu, com mandado judicial, a sede da empresa Lunus, de propriedade de Roseana e do marido dela, Jorge Murad, e encontrou R$ 1,3 milhão em dinheiro. Depois, Murad admitiu que o dinheiro havia sido arrecadado para a campanha de Roseana, o que é ilegal.
‘‘A Polícia Federal foi usada como polícia política’’, acusou o senador, que comparou a ação da PF com o modo de operação praticado pelo extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), durante o regime militar no Brasil, e pela Gestapo, no regime militar nazista na Alemanha.
O senador disse que o grupo político que passou os últimos anos no governo, no caso o PSDB, está se utilizando de métodos violentos e truculentos para tentar se perpetuar no poder no Brasil.
‘‘No Zimbábue, o presidente Mugabi acaba de ganhar as eleições. Seu método foi bem mais simples: pegou os dois candidatos da oposição e mandou prender’’, disse o senador em tom irônico. ‘‘Na Colômbia, sequestrou-se uma candidata. No México, chegou-se a matar um candidato e seu possível substituto porque eles poderiam vencer.’’
Sarney evitou fazer críticas diretas a José Serra, mas insinuou que o pré-candidato tucano esteve por trás de toda a ação contra a empresa de Roseana e passou boa parte do tempo de seu discurso lendo reportagens que faziam ligações entre Serra e trabalhos de espionagem para a criação de dossiês contra adversários políticos.
O ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, também foi alvo de Sarney. Aloysio foi chamado de truculento e de conivente com as ações da Polícia federal no Maranhão.
Visivelmente irritado, Sarney disse ainda que deverá pedir que organizações internacionais, como a Organização das nações Unidas (ONU) ou a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviem representantes para fiscalizar as eleições deste ano no Brasil.

mockup