BRASILIA - O ex-presidente José Sarney (1985-1990) será o grande ausente entre os convidados para depor na comissão especial que analisa a possibilidade de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Sarney não aceitou o convite transmitido pelo presidente da comissão Odacir Klein. O senador argumentou que, como presidente do Senado, quer manter sua posição de isenção.
Depois de votada pela Câmara, a emenda da reeleição será votada em dois turnos pelo Senado. A indicação de Sarney foi feita pelo PPB. Os depoimentos na comissão começam hoje com o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), e o cientista político Paulo Kramer. A audiência pública servirá para o governo e oposição medirem força na comissão. O líder do PMDB, Michel Temer (SP), se reúne pela manhã com os integrantes da comissão para acertar o discurso e atuação dos parlamentares na comissão.
O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), é contra a tese da reeleição, mas não permitirá que suas convicções sirvam de munição aos inimigos do Palácio do Planalto. Aguardado para um depoimento em Brasília quinta-feira, o governador recusou polidamente o convite em telefonema ao presidente da comissão especial da reeleição, deputado Odacir Klein (PMDB-RS). Às 14 horas de quinta-feira, quando as oposições planejavam tomar seu depoimento, Covas estará em Sales (SP), uma das sete cidades do interior paulista em que comandará sorteios de casas populares durante todo o dia.
Na contramão do PSDB, que em sua maioria quer dar ao chefe o direito de disputar um segundo mandato, o governador paulista avisa que sua opinião já é conhecida e nada tem a acrescentar a um debate público. ‘‘Sou contra, mas não farei disso um cavalo de batalha’’, diz Covas. Na conversa com Klein, deu sinais de que pretente encerrar o assunto empurrando o convite com a barriga. Alegou que dedicará esta semana à renegociação das dívidas do Estado, mas admitiu examinar sua ida no dia 3. ‘‘Se o governador não vier na próxima semana, não terei mais data para lhe oferecer’’, antecipa Klein.
Covas não é o único nem o mais ruidoso cardeal do PSDB que rejeita a reeleição. Opositor radical da reeleição-já, o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PSDB-CE) confirmou para as 14 horas de amanhã seu desembarque na comissão especial. Ciro é o tucano que reserva críticas mais duras à pretensão confessa de Fernando Henrique de disputar mais uma vez o Planalto. ‘‘Acho imoral que, estando titular do cargo, com todo o poder de influência que tem, o governante resolva pedir a reeleição para si próprio’’, atacou o ex-ministro.
Ciro vai a Brasília a convite do PT, que, garantem rebeldes contumazes, desta vez votará unido mais por convicção do que por disciplina partidária. ‘‘Nesse tema o PT não tem dissidência, avisa o deputado José Genoíno (SP). ‘‘Sou radicalmente contra a reeleição e estou na vanguarda do partido nesta luta contra um retrocesso para a democracia brasileira’’, completou o petista.

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