O senador Alvaro Dias (PDT-PR) acusou, ontem, no plenário do Senado, o governo federal de ter destruído, premeditadamente, o Bamerindus, que era o segundo maior banco do país, ''para vendê-lo aos ingleses do HSBC quase de graça.'' ''Objetivamente, o governo, através do Proer, negou R$ 700 milhões que permitiriam ao Bamerindus superar suas dificuldades, para conceder, posteriormente, mas na mesma operação, R$ 5,8 bilhões ao HSBC, que adquiriu o Bamerindus'', apontou.

Alvaro recomendou aos senadores que lessem o depoimento ''detalhado'' do ex-dono do Bamerindus, José Andrade Vieira, à CPI do Proer da Câmara dos Deputados, que, segundo afirmou, mostra como o Tesouro e o povo brasileiro ''foram vítimas de uma gigantesca sangria de recursos e de riquezas, num drama que se desenrolou entre 1995 e 1997''. ''O que realmente passou a pressionar o banco e que finalmente o derrubou foi uma decisão consciente e deliberada no seio do governo federal, centrada no ministro da Fazenda, Pedro Malan, e no então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, de que só deveriam restar no Brasil dois grandes bancos brasileiros de varejo e que um grande banco brasileiro deveria ser repassado a um banco estrangeiro'', acrescentou.

O senador destacou que o Bamerindus tinha 50 mil acionistas e 28 mil empregados e atuava por meio de 1.240 agências e 4 mil postos de serviço, em todo o território nacional. Além disso, pagava anualmente R$ 200 milhões em tributos, era um banco atualizado tecnologicamente e, das instituições financeiras privadas, a que mais se dedicava ao fomento agrícola.

Em aparte, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) cobrou explicações ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, pelo desdobramento do episódio. ''É preciso que o presidente da República nos revele o que aconteceu. Ou, então, ele teve uma atitude triste, para não dizer mesquinha, para com seu ex-tesoureiro'', afirmou.

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