BRASíLIA - Um movimento foi deflagrado ontem para que o Congresso vote o Orçamento de 1997 até a próxima semana. A articulação é para evitar que novas denúncias de corrupção afetem a imagem do Legislativo.
O presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), pai do presidente da Comissão Mista de Orçamento, José Sarney Filho (PFL-MA), decidiu prorrogar até o dia 20 os trabalhos legislativos, que terminariam dia 16.
Um novo cronograma foi montado para que a comissão vote, ainda esta semana, os sete relatórios setoriais. Com isso, o relator-geral da Comissão Mista de Orçamento, senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), acredita que haverá tempo suficiente para votar o relatório final na Comissão e no plenário do Congresso em uma semana. ‘‘Se for preciso, a comissão estará convocada para trabalhar no sábado e domingo’’, disse o relator.
A decisão de votar às pressas a proposta orçamentária provocou uma rebelião entre os deputados da comissão, que vêem ligação entre a urgência dada à matéria e a reeleição. ‘‘Por que essa pressão?’’, perguntou o líder do PC do B, deputado Sérgio Miranda (MG). ‘‘Fechar o Orçamento este ano é uma tentativa de colocar pedra em cima das denúncias o mais rapidamente possível, porque se sabe que o Orçamento é um pote cheio de confusão e que vai atrapalhar a reeleição’’.
‘‘É um escândalo deixar votar esse Orçamento na última hora, não há a menor condição de votarmos na comissão antes de sexta-feira’’, reclamou o deputado Paulo Bernardo (PT-PR). O temor destes parlamentares é de que se repitam episódios do passado, quando o relator geral tinha poderes quase absolutos sobre a definição do Orçamento e verbas eram cortadas ou incluídas de última hora, sem a discussão da comissão.
Desde que assumiu a presidência da Comissão Mista, o deputado Sarney Filho tem como meta a votação do Orçamento de 97 neste ano, como prevê o regimento do Congresso. Ontem Sarney Filho duvidava da possibilidade de conseguir isso. ‘‘Se encerrarmos na comissão já será um grande passo’’, admitiu.
A comissão tentará votar até sexta-feira os relatórios setoriais. Se o quórum for suficiente, o relator-geral poderá preparar seu parecer final durante o fim de semana. Para cumprir um prazo tão curto o senador Bezerra convocou seis parlamentares para ajudá-lo na elaboração do relatório final, que precisa ser publicado até a terça-feira para que haja tempo regimental de aprová-lo na comissão de Orçamento até o fim da autoconvocação.

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