Brasília - Na primeira sessão que comandou após o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no qual tratou sobre seu futuro político, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), não enfrentou ontem nenhum constrangimento. Diante de senadores que nas últimas semanas se revezaram na tribuna da Casa para defender seu afastamento temporário, Sarney reafirmou seu poder e disse que vai atuar para garantir a instalação da CPI da Petrobras.
O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), o presidente do PSDB, senador Sérgio guerra (PE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) estavam entre os senadores que ocupavam o plenário. Nenhum deles foi à tribuna pedir que ele se licenciasse do comando da Casa.
Os senadores disseram na semana passada que a saída temporária de Sarney é necessária para garantir credibilidade as denúncias de irregularidades que envolvem o comando da Casa.
Virgílio minimizou a mudança de postura. ''O foco do debate era outro. Não podemos atropelar os assuntos'', disse. Aliados do peemedebista avaliam que a falta de movimento da oposição representa que a situação de Sarney é mais confortável.
Sarney passou à tarde de segunda-feira em seu gabinete e assistiu pela TV Senado às críticas dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Cristovam e Virgílio. Cristovam afirmou que vai tentar costurar apoio de partidos da Casa para abrir processo contra ele por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. ''Vou levar essa proposta aos senadores. Eu não quero solitariamente apresentar a proposta. Acho que deve ser apresentada por um número maior de senadores.''
De acordo com Cristovam, Sarney feriu o decoro parlamentar ao se reunir com o presidente Lula a portas fechadas para fazer um acordo de apoio a ele em troca do apoio do PMDB à candidatura do governo à Presidência da República no ano que vem. ''Eu estou muito preocupado é com a desmoralização do Congresso, por causa do acordo em que o presidente da República passou a ser o tutor do presidente Sarney.''
Na semana passada, Virgílio afirmou que Sarney tinha perdido a autoridade para comandar a Casa e parecia um ''pato manco''.

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