Sarney pede licença de quatro meses do Senado
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Agência Estado 
Brasília - O senador José Sarney (PMDB-AP) vai ficar sem mandato por quatro meses, que é o período mínimo de licença previsto pelo regimento interno da Casa. Além de se queixar de cansaço, ele alega que precisa de tempo livre para concluir seu livro de memórias e participar de compromissos literários no exterior.
Segundo um de seus aliados mais próximos, no entanto, como o ex-presidente acabou ''no olho do furacão'' da disputa por cargos do setor elétrico, os compromissos literários vêm a calhar porque tiram o ex-presidente de cena e ajudam a preservá-lo do ''jogo político rasteiro'' envolvendo peemedebistas, petistas e Planalto.
Sarney tem confidenciado a amigos que se sente ''desconfortável'' por ter sido forçado a confrontar o PT da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em defesa do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que ele indicou para o Ministério de Minas e Energia. Fiel a seu estilo conciliador, Sarney evita críticas a petistas e também não assume o confronto com a ministra. ''Me meteram nisso. Estou como Pilatos no credo'', disse ontem Sarney. Questionado sobre a disputa por cargos na área de energia, o ex-presidente definiu o PT como ''um partido ideológico que não tem a cultura da coligação''.
''Estou cansado. Não tivemos férias com o problema da Roseana (sua filha senadora, que passou por uma cirurgia para corrigir fratura grave no braço esquerdo). Este período foi muito pesado para nós'', desconversou Sarney à tarde, lembrando que também acabara de fazer um ''check-up''.
Ele ainda não decidiu o dia exato em que será substituído pelo suplente peemedebista - o ex-governador do Amapá Jorge Nova da Costa -, mas tem viagem marcada aos Estados Unidos no início de março, quando receberá um prêmio de literatura pela romance ''O Dono do Mar''.


