Sarney pede investigação de patrimônio do diretor do Senado
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segunda-feira, 02 de março de 2009
Rosa Costa<BR> Agência Estado 
Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pediu ontem ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue com a urgência devida a evolução patrimonial do diretor-geral da Casa, Agaciel Maia. Encarregado de gerenciar um orçamento de R$ 2,7 bilhões este ano, Agaciel registrou em nome de seu irmão, o deputado João Maia (PR-RN), uma casa de 960 metros quadrados, onde mora, avaliada em R$ 5 milhões, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo. O deputado não declarou o imóvel nem à Receita Federal nem à Justiça Eleitoral. O imóvel com três andares, tem cinco suítes, um salão de jogos, amplo campo de futebol, piscina em forma de taça e um píer para barcos e fica no Lago Sul, num dos pontos mais nobres da cidade. O diretor-geral foi procurado pela Agência Estado, mas não retornou a ligação.
O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu a Sarney que o afastasse do cargo, enquanto durar a investigação. A sugestão foi recusada, sob a alegação de que este não é o seu estilo de agir, informou Demóstenes. Há indícios veementes de sonegação fiscal, de ocultação de bens e até mesmo de lavagem de dinheiro de corrupção, afirmou o senador. É um assunto enrolado e quando tem rolo no meio, o melhor é chamar a Polícia Federal, o fisco e o TCU para descobrir qual é a verdade, insistiu.
Em entrevista concedida pela manhã, Agaciel apresentou a evolução de seu patrimônio que, segundo ele, teria começado com um apartamento que adquiriu há 29 anos. A compra foi feita em 1996, um ano após assumir o cargo de diretor-geral, na primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Segundo ele, a indisponibilidade dos bens foi decretada pela Justiça na apuração do uso indevido da gráfica do Senado para impressão de material de campanha.
Nos 15 anos como diretor-geral, Agaciel Maia tornou-se homem forte do Senado. Tanto que os presidentes anteriores, Tião Viana (PT-AC) e Garibaldi Alves (PMDB-RN), não o demitiram. Nas conversas de bastidores, a promessa de substitui-lo funcionava como bandeira da frustrada campanha de ambos para comandar o Senado.
Nas interceptações feitas pela Divisão de Operações de Inteligência da Polícia Federal na Operação Mão-de-obra, em 2006, para investigar supostas fraudes e desvios nos contratos de terceirização do Senado, seu nome é citado pelos responsáveis das empresas, como ciente do que estava ocorrendo. Mas a apuração vazou e quando os agentes da Polícia Federal chegaram ao Senado numa ação de busca e apreensão, foram recebidos pelo próprio Agaciel. (Colaborou Denise Madueño)


