Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), encaminhou ontem à tarde pedido ao Ministério da Justiça para que seja assegurada proteção à família do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), depois que o corpo de seu primo Luiz França de Moura Neto foi encontrado carbonizado em Cuiabá, na manhã de ontem.
Os partidos da oposição apresentaram requerimento para suspender a sessão e permitir que os senadores acompanhassem Antero e o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), numa audiência com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no período da tarde. Para que isso, foi adiada a votação das duas medidas provisórias que tratam da regulamentação de investimentos no setor elétrico. Os senadores votarão apenas duas medidas provisórias para cuja aprovação há existe acordo.
Antero voltou a dizer que não recebeu ameaças, mas informou que sua filha tem recebido telefonemas de orelhões em que os interlocutores não se identificam. Os senadores manifestaram, no plenário, apoio ao tucano e interpretaram o fato de o corpo do primo dele ter sido carbonizado como um possível recado do crime organizado.
''Morte por carbonização é típico de esquadrão da morte'', disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). ''Crimes como este ocorrem por paixão, ódio ou por um recado'', disse o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), ex-procurador da República.
O líder do PFL, José Agripino (RN), disse que o governo precisa tomar providências para impedir qualquer possibilidade de intimidação por parte do crime organizado. ''É preciso dar um basta a um processo de intimidação que possa estar em curso'', afirmou.

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