O presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), radicalizou contra a participação do PMDB no acordo para votar a emenda da reeleição no dia 29. ‘‘Vou ser curto e grosso: é uma indignidade o PMDB rever sua posição’’, disse Sarney a uma platéia de 30 parlamentares reunidos para um jantar na casa do ex-deputado e prefeito de Contagem (MG), Newton Cardoso, na noite de terça-feira.
‘‘Criou-se o impasse’’, concluiu o anfitrião, que também defende o adiamento da votação da emenda para depois de 15 de fevereiro, como definira a convenção do PMDB. ‘‘Há uma queda de braço entre PMDB e PFL e o Planalto deve ter mais paciência porque não daremos quórum à votação no dia 29’’, completou. Newton Cardoso contabilizou 32 votos no grupo e aposta numa posição em bloco contra a votação antes que se definam as Mesas Diretoras da Câmara e Senado.
Firme, Sarney atrelou a sobrevivência do PMDB ao respeito à convenção. ‘‘Do jeito que as coisas estão indo, o governo vai baixar uma Medida Provisória para acabar com o partido’’, atacou. Na mesma linha, o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), argumentou que a vitória da tese da reeleição-já esmagaria o partido.
‘‘Não vou para o matadouro caminhando com minhas próprias pernas’’, disse Jáder. ‘‘Posso ir amarrado’’, completou, ao tomar a palavra em nome dos outros quatro senadores do PMDB ali presentes - o candidato a presidente do Senado, Iris Rezende (GO), o paraibano Ronaldo Cunha Lima e o alagoano Renan Calheiros. O temor dos peemedebistas é de que, aprovada a reeleição para Fernando Henrique, o crescimento inevitável do PSDB se dê às custas do PMDB.

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