Sarney isenta Congresso de vazamento
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou ontem que o Congresso Nacional não foi a única instituição brasileira a ter acesso aos documentos entregues pelas autoridades americanas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura irregularidades no envio de recursos para o exterior pelo Banestado. Os documentos foram vazados e há suspeitas de que os dados tenham sido usados para fazer chantagem. Ao dividir a responsabilidade dos documentos com outras instituições, Sarney quer fazer com que os parlamentares deixem de ser os principais suspeitos pelo vazamento das informações da CPI.
Sarney explicou que a informação de que autoridades de outros poderes tiveram acesso aos documentos foi dada pelo corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP). ''O senador Tuma está tratando desse assunto e já me disse em primeira mão que os documentos vazados não foram entregues somente pelas autoridades americanas ao Congresso Nacional. Isso abre bem o leque para uma investigação mais ampla'', observou o presidente do Senado. ''Algumas autoridades de outros poderes talvez tenham tido acesso aos documentos'', completou.
As declarações de Sarney foram dadas três dias depois dele ter dito que o vazamento de informações era um dos casos mais graves já ocorridos no Congresso Nacional. Na ocasião, ele afirmou ainda que, se fosse provado que algum parlamentar tinha envolvimento com o vazamento, ele seria levado ao Conselho de Ética. Segundo Sarney, a reunião das mesas diretoras da Câmara e do Senado para investigar o vazamento dos dados coletados pela CPI será em outubro, entre o primeiro e segundo turno das eleições municipais. ''Esta semana não temos condições de fazer a reunião porque quase todos os nossos parlamentares estão envolvidos na campanha eleitoral'', disse Sarney.
Na semana passada, o deputado Paulo Bernardo (PT-PR) afirmou que as investigações para apurar quem vazou informações da CPI do Banestado e se houve uso dos dados coletados pela CPI para fazer chantagem são ''conversa para boi dormir'' e que não vão dar em nada. Na opinião do petista paranaense, a CPI tem de se preocupar em investigar a ocorrência ou não de irregularidades no envio de recursos para o exterior pelo Banestado. ''Acho que aconteceu achaque sim. Mas quem foi achacado vai querer falar disso? Acredito que não. Também ninguém vai contar quem vazou as informações. Essas investigações são um tiro n'água; conversa para boi dormir'', afirmou Paulo Bernardo.


