Sarney está afinado com o Palácio do Planalto
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sábado, 07 de junho de 2003
Christiane Samarcoe Diana Fernandes<BR>Agência Estado 
Brasília - Entusiasmado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já pensa em 2006. Com a formalização do apoio do PMDB ao governo petista, selado na última quinta-feira, Sarney fala em estender a parceria não só à disputa pelas prefeituras, em 2004, mas também à campanha pela reeleição de Lula.
''Eu acho que, se estamos participando do governo e de um acordo político, temos que construir uma unidade que nos leve também a participar eleitoralmente em coligações na maioria dos municípios, nos Estados, e a nível de presidência da República, se for o caso'', afirmou Sarney em entrevista à reportagem. ''Na eleição passada, em mais da metade dos Estados nós já apoiamos o presidente Lula e o PT'', completa.
Com esse discurso, Sarney conquistou a confiança do presidente e tem sido uma das vozes que Lula mais preza no Congresso. Sua confiança é grande também no desempenho pessoal do presidente. ''O Lula é um homem preparado, amadurecido e consciente das responsabilidades que tem.''
O presidente do Senado também elogia a habilidade do principal articulador político do governo e ministro da Casa Civil, José Dirceu, e à competência do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. A única ressalva, por enquanto, fica para o programa Fome Zero: ''Ainda não é um projeto pronto, acabado, precisa de ajustes''. A seguir, os principais trechos da entrevista:
PMDB no governo - ''É uma coisa nova na política brasileira o apoio sem envolver acordo prévio em torno de cargos. O PMDB está participando da base do governo sem qualquer exigência, desejando apenas tomar parte nas definições das políticas públicas e opinar sobre decisões.''
Programa de governo - ''É natural que a oposição diga que o governo está cumprindo um programa do passado. Mas ninguém está cumprindo programa de ninguém. Isto faz parte do debate político. O Lula é presidente de todos os brasileiros e tem que ter um programa que seja, não dele ou do passado, para o País. É o que ele está fazendo.''
José Dirceu - ''É uma grande revelação. Ele sempre foi um grande político, um grande organizador, um grande chefe de partido e agora está mostrando uma extraordinária capacidade a nível de coordenação do governo e de administração pública.''
Antônio Palocci - ''Outra grande e boa revelação. Em primeiro lugar, ele dominou completamente a sua pasta e assumiu a liderança da área econômica, que é muito difícil. Também conseguiu mantê-la invulnerável a pressões políticas e inspirou confiança a nível interno e externo. A síntese de tudo isso são os bons resultados macroeconômicos que estamos tendo.''
Crescimento econômico - ''É evidentemente o grande desafio que o ministro Palocci tem pela frente. Um desafio que não é dele, mas do País. Tenho autoridade para falar em retomada do crescimento porque no meu governo foi o último em que o País cresceu a um ritmo médio de 5% ao ano. Depois disso, não cresceu mais. As bases para que isto volte a ocorrer estão se estabelecendo agora.''
Mudança de discurso - ''Lula assumiu o governo em um clima de desconfiança global, tanto dentro como fora do Brasil e ganhou a confiança de todos ao mostrar que é presidente de um País e não do PT. Ruim seria se ele resolvesse impor ao Brasil um programa do seu partido.''
Reformas - ''Não vamos fazer as reformas ideais nas áreas tributária e da Previdência. Faremos as possíveis, fruto da negociação entre as diversas tendências. Assim como a reforma política, a do Judiciário também é mais da responsabilidade do Congresso. Até eu, que defendia algum tipo de controle interno, hoje vejo que há uma consciência muito grande dentro da sociedade de que o Judiciário também tem de ter um mecanismo de controle externo.''
Reforma Política - ''Não pode ser postergada porque é extremamente necessária. Temos instituições políticas que remontam ainda ao século 19 e não dão respostas à necessidade de desenvolvimento do País. O sistema político brasileiro está defasado, antiquado e não corresponde à realidade do País.''
Fome Zero - ''É uma grande idéia, generosa e necessária, mas não podemos dizer que é uma coisa acabada. Enfrentou grandes dificuldades e ainda precisa de ajustes.''


