BRASÍLIA - As denúncias de corrupção na Comissão Mista do Orçamento não vão alterar o cronograma do Congresso. Os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), querem votar logo a proposta orçamentária de 1997.
A idéia é estender os trabalhos até segunda-feira, quando termina oficialmente o período legislativo deste ano.
‘‘O Sarney empombou e quer votar rápido por que a demora só serve para dar espaço à bandidagem’’, disse ontem um amigo do presidente do Congresso. ‘‘Votação não é sinônimo de acobertamento’’, completou o presidente da Comissão do Orçamento, deputado Sarney Filho (PFL-MA). Ele acertou com o pai, presidente do Senado, que convoque sessões extraordinárias do Congresso para votar a proposta no final da semana.
É com esta disposição que o senador Sarney e o deputado Luís Eduardo Magalhães se encontraram ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os dois foram chamados ao Planalto pelo próprio presidente da República, já preocupado com a pauta da convocação extraordinária do Congresso, prevista para 6 de janeiro.
O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), classificou de ‘‘destempero verbal’’ a denúncia feita no domingo pelo deputado Paulo Cordeiro (PTB-PR) - o que esmurrou o assessor do ministro do Meio Ambiente na semana passada.
De acordo com Cordeiro, a proposta do governo incluiu uma obra superfaturada para beneficiar o empreiteiro Olacyr de Moraes. ‘‘Uma coisa é querer sair atirando, outra é ter munição’’, disse Aníbal, que não crê numa avalanche de denúncias.
Há divergências entre Executivo e Legislativo quanto à votação-já do orçamento de 97. O presidente Sarney tem repetido que hoje os lobbies têm muito mais espaço para ação no Executivo - leia-se Ministério do Planejamento - do que no Legislativo. Um grupo de senadores ligados ao presidente suspeita de que o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, esteja incentivando denúncias contra a Comissão de Orçamento justamente para reduzir a influência do Congresso sobre a proposta do governo.
O líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA), assim como o líder aliado do PMDB, deputado Michel Temer (SP), defenderam a votação do orçamento tão logo seja possível.
Mas o ministro dos Assuntos Políticos, Luiz Carlos Santos, quer o adiamento da votação do projeto de lei orçamentária para janeiro. Desta forma, o governo evitaria contestações judiciais ao caráter ‘‘urgente e relevante’’ da convocação extraordinária, como ameaça os opositores da reeleição para os atuais governantes.
‘‘Não há nada mais importante e mais relevante para o Brasil hoje do que a emenda da reeleição’’, disse, sem vacilar, o presidente da Câmara.
‘‘Não importa o resultado: todos querem conhecer já a regra do jogo’’, argumentou Magalhães, ao lembrar que todos os analistas, os agentes econômicos e os investidores estrangeiros estão de olho na emenda. ‘‘Não há nada mais importante e mais relevante para o Brasil hoje do que a emenda da reeleição’’, diz, sem vacilar, o presidente da Câmara.

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