Brasília - Um dia antes da votação do projeto que permite um mandato extra às Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado, os presidentes das duas Casas, deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e senador José Sarney (PMDB-AP), se reuniram em um café da manhã para demonstrar unidade de ação. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que derruba a proibição de os presidentes da Câmara e do Senado se reelegerem num mesma legislatura deve ir a voto hoje na comissão especial da Câmara. A avaliação dos governistas é que ocorra uma fácil aprovação.
Sarney e João Paulo, beneficiários imediatos caso a reeleição seja permitida, trabalham nos bastidores pela aprovação do projeto, mas enfrentam a resistência da ala peemedebista liderada pelo senador Renan Calheiros (AL), que pleiteia a vaga de Sarney.
João Paulo repete insistentemente a políticos próximos que assegura a aprovação da PEC na Câmara. O problema seria o Senado, devido ao embate entre Sarney e Calheiros, que chegaram a discutir rispidamente na semana passada em uma reunião da bancada peemedebista.
Os defensores da reeleição dizem que Sarney também estaria seguro da aprovação no Senado, apesar da oposição do senador alagoano. Uma das razões para esta avaliação é a de que sete dos 13 senadores do PT teriam se comprometido a votar pela reeleição.
Semanas atrás, a bancada petista no Senado havia dado sinais de que votaria contra a proposta. Aprovada na comissão, a PEC tem que passar ainda por votações em dois turnos nos plenários das duas Casas para só então ir à promulgação.
''Pelas discussões travadas e as posições externadas, estou praticamente seguro de que a PEC será aprovada amanhã (hoje)'', disse o presidente da comissão, deputado Arlindo Chinaglia (PT), que também é líder da bancada do PT. O partido se reúne hoje para ver se fecha questão em torno da proposta, mas os petistas que integram a comissão são favoráveis à reeleição.
Dos 32 integrantes da comissão, apenas três do PSDB, um do PC do B e outro do PDT devem votar contra. O PMDB pode não comparecer, como forma de evitar atrito com a Executiva Nacional, que decidiu na semana passada votar contra a proposta, fortalecendo a posição de Calheiros.

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