Uma manobra do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e do presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Fernando Collor (PTB-AL), adiou por tempo indeterminado a votação no plenário do projeto de lei que trata do acesso a informações do governo.

A iniciativa dos senadores, contrários ao texto que - em diferentes prazos - abre o acesso a todos os tipos de informações, na prática impedirá a presidente Dilma Rousseff de falar na sede Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre a existência no Brasil de uma lei específica de liberdade de acesso à informação. Dilma é uma dos nove chefes de Estado que, a partir do próximo dia 20, falarão no painel sobre governos abertos, da ONU.

A desfeita contraria os aliados do Planalto. O líder do PT, senador Humberto Costa (PE), lembrou que o governo tem "compromisso internacional com a temática da transparência". "É um grande equívoco impedir a votação imediata do projeto que é um clamor do País", reagiu. O senador Walter Pinheiro (PT-BA) disse que o Brasil será o único País representado no evento que não tem uma lei específica de acesso a informações. "Não se pode agir pela vontade de um ou dois senadores", protestou.

Sarney e Fernando Collor agiram sem alarde, a ponto de os demais senadores ignorarem o esquema. A ação começou no dia 5 deste mês, quando foi lido no plenário um requerimento de Collor encaminhando oito perguntas ao ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general José Elito Carvalho Siqueira.

Sarney deu o despacho para liberar o documento, que só saiu do Senado no dia 12. O regimento do Senado, no entanto, interrompe a tramitação da matéria enquanto são aguardadas as respostas solicitadas por requerimento. Sarney confirmou seu gesto. "O que eu fiz tem amparo regimental", alegou.

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