O senador José Sarney (PMDB-AP) afirmou ontem que um agravamento da crise econômica internacional, com riscos à estabilidade do real, favoreceria ainda mais a candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso à reeleição. ‘‘Troca de presidente em momentos de crise só piora a situação’’, disse. Sarney afirmou que tem agora uma ‘‘razão de Estado’’ para apoiar FHC: ‘‘Eu, como ex-presidente (1985-90), não posso combater o presidente em um momento de crise’’. Segundo ele, ‘‘todo mundo deve estar unido para defender o real, num momento como esse’’.
O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), voltou a concordar, ontem, com a tese de Sarney, que já havia defendido no programa eleitoral de FHC. ‘‘Se a crise econômica internacional se agravar, pior será para o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à Presidência). Ninguém vai entregar para ele (Lula) um país em dificuldade’’, disse ACM. A crise econômica foi o principal assunto do almoço de Sarney com FHC, no Palácio da Alvorada, anteontem. A primeira-dama, Ruth Cardoso, e Luciana, filha do casal, também estavam presentes.
Segundo o senador, ambos avaliaram que o Brasil é o ‘‘menos vulnerável’’ a um agravamento da crise, entre os países emergentes. ‘‘A crise é global, e nenhum país está isento, principalmente os emergentes. Mas o Brasil, com as reservas que tem, é o que tem mais condições de resistir a ataques’’, disse Sarney.
Durante o almoço, Sarney e FHC conversaram também sobre a campanha eleitoral. Na opinião do ex-presidente, a campanha está ‘‘atípica e morna’’ em todo o País porque a eleição já está definida. ‘‘Não está havendo disputa. Eu pensei que seria mais difícil, que teria segundo turno. Mas não posso brigar com os números. Todos os institutos de pesquisa mostram que o presidente vai ganhar no primeiro turno, com vantagem’’, disse Sarney.
O ex-presidente disse que o PMDB vai eleger o maior número de governadores, senadores e deputados federais nas próximas eleições. Ele voltou a defender uma ‘‘reforma política’’ no Brasil, com a ‘‘reacomodação’’ dos partidos. A reforma deverá ser feita nos próximos anos e com consenso.

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