Sarney deve sacrificar diretor para garantir sobrevivência
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segunda-feira, 15 de junho de 2009
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Envolvido no escândalo dos atos secretos, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pretende sacrificar o atual diretor-geral do Senado para garantir uma sobrevivência tranquila no comando da Casa. Sarney está abatido com a revelação da existência dos boletins reservados que beneficiaram familiares seus.
Parlamentares que o visitaram nas últimas horas revelam que Sarney não dá brecha para que lhe sugiram abandonar o cargo e que ainda tem esperança de recompor o Senado com a opinião pública, brecando qualquer movimento pela renúncia. A receita é simples: tirar Alexandre Gazineo da diretoria-geral, passando o posto a um gestor fora do quadro do Senado, que tenha um perfil acima de qualquer suspeita. Mas isto não é tudo.
Em desabafo a mais de um interlocutor, o presidente do Senado avaliou que agora não tem mais jeito, e afirmou que não vai segurar mais nada. Ao contrário, disse que sua intenção é abrir tudo, respeitando seu estilo, que não é de espalhafatos. Embora a crise tenha origem em desmandos administrativos e denúncias de corrupção, o grupo político de Sarney e do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), avaliou ontem que setores do PT e da oposição querem enfraquecê-lo para abrir uma nova disputa pela cadeira de presidente do Congresso.
O raciocínio neste caso é de que se esboça outra disputa de poder na base aliada, a exemplo do que ocorreu na crise de 2007, quando Renan acabou renunciando à presidência do Senado. Não que o objetivo seja o de cassar Sarney, embora o PSOL já tenha falado em representar contra ele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, tal como fizera com Renan. A briga de poder que a cúpula peemedebista do Senado identifica hoje passa pela sucessão presidencial.
Os dirigentes peemedebistas estão convencidos de que setores expressivos do PT no Congresso e no governo querem o PMDB mais fraco em 2010, por várias razões. A principal motivação eleitoral seria o excesso de candidatos do PMDB nos Estados, uma vez que a força nacional do partido reside no poder político de seus caciques regionais.
Os peemedebistas estão convencidos de que não é a toa que Sarney se tornou alvo preferencial desses setores do PT. Lembram que, dos 19 senadores da bancada do PMDB, apenas três têm mais quatro anos de mandato a partir de 2011: Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Sarney. Embora o presidente do Senado esteja engajado na pré-candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, os peemedebistas não têm dúvida de que, ao PT, não interessa vê-lo forte. Afinal, isto poderia alimentar o projeto inicial do PMDB do Senado.


