Sarney defenderá candidatura própria
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaAto de féSarney reza na Catedral de Brasília: Não mando nas pessoas, mas posso antecipar a decisãoO PMDB tem programa, tem quadros e deve ter candidato próprio a presidente da República, dirá o senador José Sarney (PMDB-AP), em horário nobre da programação das emissoras de rádio e televisão. Passado o carnaval, a presidência do PMDB se encarregará de divulgar uma série de comerciais do partido, convocando seus 510 dirigentes e delegados à convenção nacional de 8 de março, que vai decidir entre o lançamento de um peemedebista na corrida presidencial e o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Mas não é só a ala dos rebeldes do partido que terá direito a comerciais. Articuladores do grupo que apóia o Palácio do Planalto, como o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), também foram convidados a gravar suas mensagens. E enquanto os rebeldes apostam na candidatura do ex-presidente Itamar Franco, os aliados do governo já criaram até um slogan em favor da reeleição.
Vote pela coerência e vote pela aliança, gravou o líder Geddel. Ele usou seus 30 segundos no rádio e televisão para lembrar que o PMDB não só participa do governo como é co-responsável pelos resultados administrativos obtidos de 1995 até hoje. Seria uma incoerência criticar o governo e negar apoio à reeleição agora, pondera o deputado.
Apuros Quem ficou em apuros na hora de fechar o texto de sua fala foi o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB), que o presidente Fernando Henrique chamara ao Palácio da Alvorada na véspera da gravação. Partidário da candidatura própria, o senador teve de usar sua habilidade para defender seu ponto de vista e ao mesmo tempo cumprir a promessa feita ao presidente, de não cabalar votos em favor de Itamar Franco. Será que um partido que tem dois ex-presidentes da República não tem sequer o direito de discutir a possibilidade de um candidato próprio, perguntará o senador no comercial, para encerrar com a convocação dos convencionais: compareça e decida.
Que o PMDB livre e liberto, com todas as suas lutas, lance seu candidato, insiste o ex-presidente José Sarney, ao salientar que ele está mesmo fora da disputa. Seu apoio declarado à candidatura Itamar Franco vai além do discurso. O senador lembra que se colocou à disposição do partido quando não havia outro candidato, mas que jamais pretendeu disputar em convenção e hoje já não é mais possível o consenso em torno de seu nome. Com isto, os 27 votos do Maranhão e os 4 do Amapá irão todos para a candidatura própria na convenção de março. Não mando nas pessoas, mas posso antecipar a decisão porque este é o sentimento do partido, explicou Sarney.
Paes Paes de Andrade, que irritou os governistas ao negociar uma aliança com as esquerdas em nome do PMDB, voltará ao tema em seu comercial. A candidatura própria permitirá ao partido unir-se às demais forças democráticas, em aliança de centro-esquerda, para oferecer ao Brasil um projeto de desenvolvimento sem inflação e sem desemprego, dirá Paes no rádio e na televisão.
Demissionário do posto de embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamar Franco ainda está em Washington e, por isso, não deverá gravar sua mensagem para os convencionais. Nem por isso, o candidato ficará fora da série de comerciais. Para garantir sua presença, apesar da distância, Paes levará ao ar uma montagem com uma fotografia do ex-presidente e trechos da carta que ele escreveu ao partido, reafirmando que o PMDB pode até não ter candidatura, mas nunca será por falta de um nome da legenda. Afinal, ele já se ofereceu como alternativa ao partido.


