Sarney criou 70% das 181 diretorias
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Rosa Costa<BR>Agência Estado 
Brasília - É o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quem encabeça os atos que criaram pelo menos 70% dos 181 cargos de direção da Casa que ele diz, agora, querer diminuir. A proliferação das diretorias e seus anexos com salários elevados se deu, sobretudo, entre 2003 e 2005, quando Sarney comandou a instituição pela segunda vez. Sarney multiplicou, por exemplo, a gestão da então Secretaria de Comunicação, quando seu nome foi trocado para Secretaria Especial de Comunicação Social. Hoje o órgão comporta 20 cargos tidos como de direção.
A pulverização dos cargos chegou ao ponto de criar uma coordenação do Jornal Semanal (do Senado), como é chamada a coletânea divulgada na segunda-feira, repetindo matérias sobre a atividade dos parlamentares já divulgadas ao longo da semana e outras tidas como especiais.
Sarney foi ainda pródigo na transformação de várias outras subsecretarias em secretarias. É o caso das Secretaria de Biblioteca, Secretaria de Telecomunicações, Secretaria de Comissões, Secretaria Especial de Informática do Prodasen, Secretaria de Finanças, Orçamento e Contabilidade, Secretaria de Segurança Legislativa e outras mais. Cada uma delas municiadas com subsecretarias e outros cargos anexos - todos considerados de direção.
A prodigalidade de Sarney para acomodar servidores do quadro efetivo e até comissionados nos cobiçados cargos de direção justifica a máxima que antecedeu sua eleição à presidência do Senado: a de que ele ''é bom para os servidores e ruim para a instituição''.
Na transformação da Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública para Secretaria, por exemplo, as seis funções comissionadas foram transformadas em ''funções comissionadas de Secretários de Coordenação e Execução'', nível FC-8, elevando seus ocupantes à categoria de ''diretores adjuntos''.
Segundo a assessoria do presidente Sarney, a proliferação de cargos na época se justifica. Na época, a área administrativa do Senado apresentava um pacote de demandas de criação de cargos, alegando necessidade, e era referendado pelos senadores integrantes da comissão diretora da Casa. De acordo com a assessoria, ''eram vistos como meros atos burocráticos''.
A criação dos cargos no Senado segue uma praxe: o presidente do Senado acolhe a iniciativa, os demais membros endossam a medida, que mais tarde é votada em plenário sem alarde.


