Sarney anuncia redução de diretorias, mas manterá diretores
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quarta-feira, 18 de março de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Eugênia Lopes
Agência Estado
Brasília - O Senado possui 181 diretores em seu quadro funcional, o que representa mais de dois diretores para cada um dos 81 senadores. Há até diretor para Coordenação de Apoio Aeroportuário e diretor de Suprimento de Matéria Prima. Segundo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a ideia é reduzir pela metade o número de cargos de direção na reestruturação administrativa que será promovida na Casa. A expectativa é que reforma na estrutura do Senado seja concluída em seis meses. O anúncio da reestruturação administrativa do Senado foi feito ontem por Sarney, em mais um ato político para tentar dar uma resposta às denúncias de irregularidades.
Na prática, a reforma não deverá sair tão cedo. Motivo: Sarney assinou apenas um protocolo de intenções com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ficará encarregada de fazer uma auditoria e os estudos para enxugar a máquina administrativa do Senado. Anteontem Sarney pediu que os diretores do Senado pusessem seus cargos à disposição, mas até o início desta noite ninguém havia sido exonerado. Ninguém sabia ao certo o número de diretores: primeiro, ontem, a assessoria do Senado informou que eram 131. Depois, corrigiu o número para 136. Hoje mudou a versão: avisou que, no total, eram 193 diretores. Momentos depois, baixou o número de cargos de diretor do Senado para 181.
Na solenidade de assinatura do protocolo com a FGV, Sarney fez um desabafo: Não tenho mais aspiração política, a não ser cumprir este meu último mandato. Portanto irei fazer o que for necessário. Diante de uma dezena de senadores, ele afirmou que o Senado precisa sair dessa discussão menor, em referência às denúncias contra a Casa. Coloquei meu nome, minha carreira, mais uma vez, sem necessidade. Vocês têm de compreender que para mim não é fácil. Aceitei prestar um serviço à Casa, argumentou Sarney, ao admitir que também não sabia da existência de tantos cargos de direção no Senado. Não é do meu temperamento ser a palmatória do mundo.
Todos vão sair e vamos analisar pelo critério de mérito quem vai ficar, afirmou o presidente do Senado. Os diretores continuam nas suas funções. Não podemos demitir todos de uma vez só. Vamos analisar caso a caso e esperar o estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas. Não podemos estipular prazos. Mas em seis meses quero estar num mar de rosas, em céu de brigadeiro, disse o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro secretário do Senado.
Bianor Cavalcanti, diretor da FGV, reconheceu que a estrutura do Senado é pesada. Há um sentimento que se deve fazer estudos para rever o quantitativo desse nível de gestão, observou. Ele previu que os estudos para a reestruturação administrativa deverão ficar prontos em seis meses. O valor do contrato para fazer a reforma no Senado só será definido depois de a FGV apresentar o projeto para os estudos.
Depois de anunciar a reestruturação do Senado, Sarney reuniu-se com os integrantes da Mesa Diretora e adotou medidas moralizadoras para tentar conter a onda de escândalos que tomou conta da Casa desde que assumiu a presidência, em 2 de fevereiro. Além de instituírem o ponto a partir das 18h30 para pagar hora extra, a cúpula do Senado resolveu limitar a seis servidores por órgão o pagamento do benefício. Ficou acertado ainda que os terceirizados serão substituídos aos poucos por funcionários concursados.


