Sargentos que teriam treinado a GM ameaçam processar Prefeitura
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Paula Barbosa Ocanha<br> Reportagem Local 
Dois sargentos que teriam sido contratados para o treinamento da Guarda Municipal (GM) de Londrina ameaçam processar a Prefeitura por valores não recebidos e pela não rescisão contratual.
Os sargentos Rosa Maria de Oliveira e Valdir Roque de Lima prestaram depoimento ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que apura a denúncia de irregularidades na criação e no treinamento da GM.
O advogado dos sargentos, Jackson Romeu Arikudo, afirmou que seus clientes foram chamados pela CEI como testemunhas para esclarecer como funcionou o período de contrato deles com a empresa Delmonde&Dias - responsável pelo treinamento da Guarda, e com a Prefeitura. Segundo Arikudo, os sargentos foram contratados primeiramente pela empresa para monitorarem as turmas no período do treinamento da GM, que durou de abril a junho de 2010, e depois foram contratados pela prefeitura para continuar o trabalho. ''Desde 1º de julho eles foram contratados pela Prefeitura, mas não receberam pelo trabalho. O contrato só foi assinado em outubro e não acertou o retroativo dos dias que eles já estavam monitorando a Guarda nas ruas. Isso é irregular e eles sabem disso'', afirmou. O advogado ainda ressaltou que na ação que pretende entrar com contra a Prefeitura vai cobrar para que seus clientes recebam o valor pelo tempo trabalhado, já que o contrato ainda não foi protestado pela Administração.
O secretário de Gestão Pública, Marco Cito, explicou que o contrato está em processo de cancelamento, sendo gerenciado pela procuradoria da Prefeitura e a Secretaria de Defesa Social. ''Quando o ex-secretário (Benjamin Zanlorenci) foi exonerado do cargo e o delegado Joaquim de Melo assumiu a secretaria, eles decidiram reorganizar a Guarda e cancelar o contrato com os seis monitores porque o valor pago era alto e os próprios alunos formados poderiam fazer esse trabalho. Mas isso é um processo lento'', salientou. Com a medida, a secretaria economizou cerca de R$ 17,5 mil por mês.
Além da falta de pagamento por parte da Secretaria para os sargentos, a CEI ainda investiga o pagamento de R$ 36 mil à empresa Delmondes por uma aula de tiro de pistola que não foi ministrada aos alunos, fato confirmado pela auditoria realizada na Prefeitura, que resultou na exoneração de Zanlorenci. Segundo Tamura, os depoimentos têm ajudado à Comissão a apontarem outras falhas presentes no contrato. ''Tudo foi questionado ponto a ponto com todos eles e isso foi muito importante para poder esclarecer outras irregularidades'', concluiu.
A CEI ainda vai decidir os próximos depoimentos, e tem até 6 de maio para entregar o relatório final dos trabalhos.
A comissão ainda ouviu ontem o capitão do 5º Batalhão da Polícia Militar que coordenou o treinamento da GM, Marcos Ginotti Pires. Ele saiu da reunião sem conversar com a imprensa.


