O ex-sargento Jorge Luiz Martins, autor de denúncias de grampo telefônico supostamente praticado pelo Banco HSBC, é o mais novo paranaense beneficiado pelo programa federal de proteção a testemunhas de crimes. A inclusão, aceita no final da semana passada, foi solicitada pelo procurador da República Luiz Francisco de Souza.
Segundo o advogado Maurício Canto, defensor de Martins, o ex-sargento e sua família mulher e dois filhos , que moram em Curitiba, vinham sofrendo ameaça de sequestro. Além de pedir proteção ao denunciante, o procurador encaminhou ao Ministério da Justiça as denúncias contra o HSBC, para que sejam investigadas.
Criado em 1999, o Programa de Proteção às Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, já beneficiou 600 pessoas no País. Ele tenta dar garantias de vida a pessoas sob ameaça ou coação devido a sua colaboração, direta ou indireta, em investigações ou processos criminais.
A proteção inclui, entre outras medidas, segurança na residência, escolta em deslocamentos, assistência médica, jurídica e psicológica e até mudança de endereço e identidade. Por segurança, a medida adotada no caso de Martins não é divulgada.
Martins atuou na área de segurança do HSBC por quase seis anos, enquanto trabalhava na Polícia Militar do Paraná. A prática é proibida por lei. O ex-sargento alega que estava na empresa a mando de seus superiores. Ele afirma que fez escuta telefônica clandestina de sindicalistas e até clientes do banco. O HSBC nega a acusação.
Demitido do banco em 2000, Martins foi expulso da PM em março deste ano. Atualmente, ele move ação trabalhista contra o HSBC e tenta se aposentar pela corporação, já que o decreto federal 88.777 estipula que um militar deve passar para a reserva após exercer dois anos de atividade civil ou cargo público. Martins também responde a um processo na Justiça Militar, pelas acusações de falsidade ideológica e inobservância da lei.

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