Saques foram ordem do partido, dizem petistas
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segunda-feira, 08 de agosto de 2005
Luciana Brafman<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - Em depoimento na Polícia Federal, no Rio de Janeiro, dois petistas que aparecem como sacadores das contas de empresas do publicitário Marcos Valério alegaram ontem cumprir ordens partidárias. O ex-subsecretário de Articulação do governo Benedita da Silva (2002) Carlos Manoel Costa Lima disse ontem que usou os R$ 100 mil sacados da conta da DNA Propaganda, de Marcos Valério, para pagar dívidas da campanha de 2002, de acordo com uma lista determinada pelo ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos. Costa Lima informou que não fez quaisquer recibos referentes a esses pagamentos e que não se lembra dos nomes dos destinatários do dinheiro.
O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil e ex-presidente do Conselho de Administração da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil), Henrique Pizzolato, também prestou depoimento ontem à Polícia Federal para esclarecer seu envolvimento com os supostos R$ 326 mil oriundos das contas de Valério. De acordo com seu advogado, Mário de Oliveira Filho, Pizzolato está ''chateado com o PT'' e deve pedir a desfiliação do partido.
No depoimento, Pizzolato confirmou ter recebido e, posteriormente, entregue a um funcionário do PT dois envelopes -onde estaria o dinheiro - retirados a pedido da diretoria da DNA no dia 15 de janeiro do ano passado. Segundo seu advogado, na ocasião Pizzolato não se deu conta de que se tratava de dinheiro e disse não se lembrar dos nomes das pessoas da DNA e do PT citadas no caso.
''Ele recebeu um telefonema em nome de Marcos Valério com um pedido que retirasse um documento num escritório no centro do Rio'', disse o advogado. Pizzolato teria solicitado, então, ao mensageiro da Previ Luiz Eduardo Ferreira da Silva que retirasse a encomenda e entregasse em sua casa, onde um funcionário do PT iria buscá-la.
Já Costa Lima confirmou que mandou fazer dois saques de R$ 50 mil das contas de Valério. Ele disse que recebia ligações da Executiva Financeira do Diretório Nacional do PT, quando era informado das datas e local onde seria disponibilizado o dinheiro ''para pagar dívidas de campanha e dívidas pós-eleitorais''. E afirmou que não foram emitidas notas fiscais pelos serviços prestados por esses fornecedores do PT.


