Brasília - Em depoimento à CPI do Mensalão, o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas afirmou ontem supor que os valores sacados a mando do presidente do partido, o ex-deputado Valdemar Costa Neto, das contas do publicitário Marcos Valério seriam referentes a um acerto da campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. ‘‘Ele [Valdemar] dizia simplesmente que eram [para pagar] gastos de 2002. Não precisava se era da campanha do presidente, mas eu suponho que fosse’’, disse Lamas.
  Alternando momentos de choro com gargalhadas, o ex-tesoureiro do PL disse que buscava ‘‘pacotes’’, ‘‘envelopes’’ e ‘‘encomendas’’, com dinheiro vivo, a pedido de Costa Neto na agência do Banco Rural em Brasília, mas não sabia quanto transportava em cada remessa. Afirmou que também não tinha certeza de quantas vezes esteve no banco, mas ‘‘imaginava que oito’’. ‘‘Não recebia recursos do PT para o PL. Era um acerto do Delúbio com o Valdemar’’, disse, citando diversas vezes que as negociações foram feitas apenas entre Costa Neto e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
  Ele afirmou desconhecer o destino e a origem do dinheiro que carregava para Valdemar e que ‘‘não se sentia ofendido’’ nem ‘‘humilhado’’ em prestar este tipo de serviço ao ex-deputado. ‘‘Sou disciplinado, atendia ao Valdemar e não me sentia humilhado com isso’’, disse.
  Lamas chegou a irritar os integrantes da comissão devido à resistência em precisar datas, valores e ao discurso de distanciamento das finanças do PL. Outra fala de Lamas que irritou os congressistas foi quando disse que, apesar de exercer a função de tesoureiro, ‘‘não era convidado para certas reuniões’’ e que seu cargo ‘‘não tinha status político’’.
  Ontem, a comissão aceitou adiar para hoje o depoimento de Delúbio, que estava agendado para ontem. Ele alegou impossibilidade de viajar para Brasília porque ontem prestou longo depoimento à Comissão de Ética do PT.

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