Brasília - Uma informação que chegou nas nove caixas de documentos referentes à conta da DNA, empresa de Marcos Valério, no Banco do Brasil obrigou ontem os integrantes da CPI Mista dos Correios a convocarem técnicos da instituição financeira para desfazer o que pode ser um mal-entendido milionário. Uma estimativa inicial dos documentos aponta para uma movimentação superior a R$ 50 milhões.
Os deputados Ônyx Lorenzoni (PFL-RS) e Pompeo de Mattos (PDT-RS) tiveram acesso à documentação e divulgaram a existência de um cheque, que teria sido sacado na boca do caixa, no valor de R$ 9,7 milhões. Para efeito de comparação, os R$ 10,2 milhões com que o presidente da Igreja Universal, deputado João Batista Ramos (SP), tentava embarcar para São Paulo ocuparam sete malas de viagens e o porta-malas de uma caminhonete. Sair com R$ 9,7 milhões do banco, portanto, exigiria uma operação envolvendo mais de uma pessoa.
Diante dos dados vultosos, o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), desconfiou dos documentos e solicitou a presença de um funcionário do BB. Havia dúvidas se os R$ 9,7 milhões referiam-se a saques ou a movimentações, como transferências ou pagamentos de fornecedores. Depois da análise, nem mesmo o técnico soube precisar o destino dos recursos.
A papelada enviada pelo BB mostra desconhecimento da instituição. Diante da confusão, os técnicos do Banco do Brasil terão os próximos dias para apurar os dados repassados à CPI.

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