''São os sem-rumo'', ataca FHC
Melchíades Cunha Júnior
Agência Estado
De São Paulo
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que faz parte da democracia criticar o governo, mas que a Marcha dos 100 Mil é a marcha dos sem-rumo. Entrevistado domingo pela Rede Globo, o presidente disse que a crítica é válida, mas a oposição não está propondo, nem mesmo o diálogo, já que parte para a derrubada do governo. Criticar pode. O que eles querem que se faça? Qual é o diálogo? O que eles estão propondo?, perguntou. Nada, a não ser a propalada CPI sobre a privatização das teles. Já foi feito tudo o que se sabe a respeito, disse.
Aliás, este é o único país em que os partidos ditos de esquerda são todos jurássicos; são contra imposto. Normalmente, na Europa, a social-democracia quer imposto para fazer uma melhor distribuição de renda. Aqui, temos os jurássicos... Mas não faz mal.
Para o presidente, a campanha de fora FHC, divulgada no rádio e televisão, não é contra ele, mas contra as instituições democráticas, já que é feita contra um presidente eleito pela população. O presidente não tem nenhum problema de explicar o que fez, não tem nenhuma acusação moral de qualquer espécie sobre o que fez em matéria financeira, ou de desrespeitar a Constituição. Essa idéia de falar de renúncia, de impeachment, é uma coisa que não me mina, mina apenas a democracia.
Em Brasília, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), também tratou de criticar ontem a marcha e repetiu palavras de FHC: É um movimento sem rumo, um movimento sem destino, um movimento que evidentemente só pode ser ruim para o Brasil, afirmou. ACM ressalvou que, se os organizadores quiserem fazer o movimento, que o façam democraticamente. E as autoridades vão acatar se for democrático, disse.
Em Porto Alegre, o ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, também voltou a criticar a oposição, afirmando que, se mais uma vez a esquerda à qual ele pertence vai para a Marcha dos 100 Mil defendendo o slogan Fora FHC, irá incorrer no erro de tentar atalho autoritário para resolver a sua insatifasção. Jungmann disse que considera difícil a união entre os manifestantes da marcha e produtores rurais que estão em Brasília.





