São Borja dá último adeus a Brizola
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quarta-feira, 23 de junho de 2004
Das agências 
São Borja (RS) - Considerado berço e túmulo dos grandes nomes trabalhistas, e talvez do próprio trabalhismo, o município de São Borja, na fronteira do Brasil com a Argentina, vai parar pela quarta vez hoje para acompanhar um fato histórico. O enterro do presidente nacional do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul Leonel Brizola deve levar 25 mil pessoas à cidade, segundo previsões do diretório municipal do PDT e da Brigada Militar. A prefeitura decretou ponto facultativo. Seu corpo segue esta manhã para São Borja, na fronteira com a Argentina, onde será sepultado.
Com atraso de duas horas e meia do horário previsto, o avião com o corpo de Brizola chegou a Porto Alegre às 15h05. Com honras militares, que incluíam 30 cavalarianos vestidos com roupas de gala, o caixão do governador foi colocado em um caminhão do Corpo de Bombeiros e desfilou durante 1 hora e 17 minutos pelas ruas de Porto Alegre.
O corpo chegou às 16h45 ao Palácio Piratini, onde em 1961 Brizola liderou a chamada ''campanha da legalidade', movimento vitorioso em defesa da posse de João Goulart após a renúncia do presidente Jânio Quadros. O pedetista governou o Rio Grande do Sul entre 1959 e 1962, quando encampou as companhias de energia elétrica e telefonia, pertencentes até então a empresas norte-americanas.
Na entrada do Piratini, um coral de 30 vozes cantou em homenagem a Brizola ''Querência Amada'', canção de Teixeirinha de exaltação ao Rio Grande do Sul. Em seguida entoou o ''Hino da Legalidade'', cujo letra diz: ''Marchemos todos juntos de pé/ Com a bandeira que prega a igualdade/ Protesta contra o tirano/ Se recusa à traição/Um povo só é bem grande/ Se for livre como a nação''.
No Rio de Janeiro, cerca de 10 mil pessoas foram às ruas ontem de manhã para homenagear Brizola. O cortejo com o corpo parou em frente ao Palácio do Catete, onde um dos netos de Brizola, Carlito Brizola, leu a carta-testamento escrita pelo presidente Getúlio Vargas antes de cometer suicídio, em 1954. Das janelas do palácio, hoje transformado em museu, funcionários assistiram à manifestação segurando fotos de Vargas. O corpo de Leonel Brizola embarcou para Porto Alegre em um avião fretado pelo PDT às 13h20, com quase duas horas de atraso, porque a passagem do cortejo pelas ruas demorou cerca de quatro horas.
O corpo saiu do Palácio da Guanabara, em Laranjeiras, zona sul, às 8h35, e chegou ao aeroporto Santos Dumont, no centro, às 12h45. Famílias e funcionários de empresas acompanharam a passagem do cortejo das janelas dos edifícios, enfeitadas com adereços vermelhos. Quinhentos soldados da Polícia Militar foram mobilizados para a segurança.


