O ex-presidente da Banestado Leasing e secretário estadual dos Esportes, Osvaldo Magalhães dos Santos, disse à Folha que o seu envolvimento na CPI dos Títulos Públicos foi articulado por ‘‘setores do próprio banco’’. ‘‘Fui convocado sem saber o porquê, já que a Leasing não comprou nem emitiu títulos’’, defende-se o secretário, que no último dia 7 prestou depoimento aos senadores em Brasília. A convocação de Magalhães Santos foi pedida pelo relator da CPI, Roberto Requião (PMDB-PR).
Mas para Magalhães dos Santos, ‘‘não há dúvidas que grupos internos ficaram descontentes com a política administrativa adotada pela Leasing’’ durante sua gestão, que foi de janeiro de 95 a julho de 96. ‘‘Eu prestigiei as pessoas (funcionários) pelo seu desempenho e não pelo tempo de casa’’, afirma o secretário, que acusa tais setores de terem vazado informações sigilosas para a CPI. ‘‘Sempre existem os descontentes e é difícil a gente agradar a todo mundo’’, se queixa.
‘‘Pegaram carona no problema dos títulos públicos para me acusarem com denúncias anônimas’’, afirma o ex-presidente da Leasing, que hoje se diz ‘‘seguro’’ no cargo de secretário de Estado. ‘‘Sou um soldado do governador Jaime Lerner, que me delegou sérias responsabilidades como a realização dos Jogos Mundiais da Natureza’’, diz, apostando na permanência no governo.
O secretário diz ainda que a CPI dos Títulos Públicos foi ‘‘importante para mostrar que o Banestado não fez nada de errado’’. ‘‘Não me arrependo de nada e tenho orgulho do que fiz à frente da Leasing’’, diz Magalhães dos Santos.
A suspeita que levou à convocação de Magalhães dos Santos pela CPI foi a emissão de 300 milhões de debêntures no período em que ele comandou a Leasing. Parte dessas letras foi negociada pelo Banco Boa Safra, de Fausto Solano Pereira, um dos principais envolvidos no esquema dos precatórios.

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