Santa Fé volta às urnas para eleger o prefeito
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sábado, 03 de junho de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Santa Fé - Os 6.256 eleitores de Santa Fé (47 km ao norte de Maringá) comparecem às urnas neste domingo para a escolha do novo prefeito, ao final de uma campanha marcada pelo corpo a corpo dos candidatos e milhares de visitas às residências de eleitores nas zonas urbana e rural.
A votação extraordinária foi determinada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) após a cassação do mandato do ex-prefeito Pedro Brambilla (PMDB) acusado de compra de voto e abuso do poder econômico. Inicialmente marcado para 4 de setembro de 2005, o pleito foi postergado em quase 10 meses por recursos judiciais. O novo prefeito vai cumprir mandato de 2 anos e meio e poderá disputar a reeleição. O TRE ainda não definiu a data da posse. O resultado da votação deve ser conhecido hoje perto das 19h00 (cerca de 2 horas após o encerramento da votação).
Com aproximadamente 10 mil habitantes, Santa Fé tem no déficit habitacional (aproximadamente 800 moradias) e de emprego dois de seus principais problemas. A economia local, historicamente ligada à agropecuária, avançou nos últimos anos com a instalação de facções terceirização de serviços de confecção e estações turísticas que aproveitam o potencial dos rios e represas da região, mas os candidatos são unânimes em apontar a ociosidade e falta de qualificação da mão-de-obra como desafios para as próximas administrações.
''Hoje em dia, cidade pequena tem que ter indústria para gerar os empregos necessários. Vamos investir na atração de empresas como prioridade administrativa. Para isso, pretendo conversar com empresas de fora e empresários que deixaram a cidade nos últimos anos'', afirmou o candidato independente Paulo Assaiante (PP), que é corretor de seguros e disputa sua primeira eleição.
''Também temos a meta de informatizar o sistema de saúde para melhorar o atendimento e facilitar a vida da população.'' Sobre a habitação, o candidato disse apostar na parceria com deputados estaduais e federais para trazer verba e subsídios ao município.
A coligação de Paulo Assaiante declarou à Justiça Eleitoral teto de R$ 30 mil para gastos de campanha. ''Usei R$ 3 mil até agora. As despesas de comício não foram computadas porque vieram como doação.''
O candidato oposicionista João Mauro (PSDB), agricultor e ex-vereador, disse que faz parte de sua plataforma a ''manutenção do que está sendo bem feito pela prefeitura e a melhoria dos serviços insuficientes''. As principais críticas de João Mauro são endereçadas ao estado precário da periferia de Santa Fé e o abandono da agricultura.
''O centro da cidade até que está bonitinho porque a atual administração costuma embelezar as ruas principais. Só que eles esqueceram a periferia, onde falta asfalto e urbanização'', disse o candidato. ''Teve bairro que ficou 16 anos sem asfalto durante a gestão dos nossos opositores e foi pavimentado apenas na nossa gestão'', afirmou. A falta de experiência administrativa do candidato Fernando Brambilla (PMDB) também é fonte de críticas do ex-vereador. ''Ele é meio imaturo para um cargo relevante desse. É um rapaz estudado mas que nunca trabalhou'', disse. A coligação de João Mauro declarou teto de R$ 50 mil para os gastos de campanha, mas ele disse não saber qual a despesa realizada até o momento.
Ex-presidente da Câmara Municipal, o jovem bacharel em direito Fernando Brambilla, de 25 anos, rebate as críticas à sua inexperiência citando os 100 dias em que ocupou o cargo de prefeito, em 2005, em substituição ao seu pai, Pedro Brambilla, quando a justiça decretou seu afastamento. ''Naquela época eu mostrei um pouco do que posso fazer para a cidade.''
Brambilla também focaliza sua campanha na geração de empregos. ''Conseguimos trazer para Santa Fé, no pouco tempo que ficamos na prefeitura, um frigorífico de frangos que começa a funcionar até o final do ano e vai gerar 300 postos de trabalho. É o maior investimento econômico da história da cidade.'' A área da moradia também é citada pelo candidato como prioridade administrativa. ''A maior parte dos conjuntos habitacionais da cidade são da época das nossas administrações'', disse referindo-se ás três gestões de Pedro Brambilla como prefeito. ''Também vamos investir pesado na saúde'', prometeu. A chapa do PPS declarou gastos de R$ 30 mil à Justiça, mas o candidato declarou não saber qual o custo da campanha até esta semana.


